Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 25 de março de 2016
Apesar de a prática de se separar se tornar cada vez mais comum, poucos vivem a relação amorosa como algo temporário, enquanto for satisfatório para ambos. Concretizar uma separação não é nada fácil, na medida em que a vida a dois induz a uma relação de dependência emocional. É comum, então, negar alguns aspectos insatisfatórios e permanecer junto um tempo muito maior que o desejado. A ideia da felicidade através do amor no casamento influi na intensidade da dor na separação.
Antes da Revolução Industrial, as famílias eram extensas – pai, mãe, filhos, primos, tios, avós – e as exigências emocionais eram divididas por todos os membros que viviam juntos. A família nuclear (pai, mãe e filhos), que caracteriza a época contemporânea, reduz a troca afetiva a um número pequeno de pessoas, favorecendo a simbiose e sobrecarregando marido e mulher como depositários das projeções e exigências afetivas do outro.
Entretanto, nem todos se desesperam quando o vínculo conjugal se rompe. Quando um dos parceiros comunica ao outro que quer se separar, aquele que de alguma forma não deseja isso pode sofrer em um primeiro momento e, pouco depois, sentir que lucrou bastante com o fim do casamento. A aquisição de uma nova identidade – agora não mais vinculada ao ex-marido ou ex-esposa – pode proporcionar uma sensação de renascimento.
Alívio.
O psicólogo italiano Edoardo Giusti, após quatro anos de pesquisas e estudos acerca da separação de casais, afirma que é certamente uma novidade para nossa cultura, centrada no sacrifício e na abnegação, poder evidenciar o alívio muitas vezes sentido ao término de uma união. E até se identifica um certo entusiasmo quando uma separação é vivida como nova oportunidade de crescimento e de desenvolvimento pessoal.
Como vivemos em uma época em que cada um busca desenvolver ao máximo suas possibilidades pessoais e sua individualidade, a dor da separação é, portanto, bem menor do que há 40 anos. “Nesse sentido, vê-se nas pessoas que se separam, a partir da segunda metade do século 20, a consciência da necessidade de reconstruir sua identidade, de restabelecer novos propósitos de vida. Não cabe mais chorar tanto um casamento perdido porque ainda se tem a si mesmo como objeto a ser realizado e vivido”, diz a terapeuta de casal Purificacion Barcia Gomes.
Após uma separação, o alívio é maior do que o sofrimento e pode haver uma forte sensação de renascer se havia qualquer tipo de opressão no casamento ou se na relação que acabou já não havia mais desejo. Mas outros ingredientes importantes são: atividade profissional prazerosa, vida social interessante, amigos de verdade, liberdade sexual para novas experiências e, principalmente, autonomia, ou seja, não se submeter à ideia de que estar só é sinônimo de solidão ou desamparo. (Regina Lins/AE)
Os comentários estão desativados.