Sexta-feira, 19 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 22 de abril de 2021
Cientistas de cinco universidades dos EUA, Canadá e Reino Unido listaram pontos em carta.
Foto: Marcello Casal Jr./Agência BrasilPesquisadores de universidades dos Estados Unidos (EUA), Canadá e Reino Unido listaram 10 razões, baseadas na ciência, que indicam a transmissão da covid pelo ar. Mas a OMS (Organização Mundial da Saúde) não admite este fato nas explicações sobre a doença em seu site oficial.
A possibilidade de infecção pelo ar precisa ser levada em consideração, uma vez que um indivíduo saudável pode ficar doente ao inalar aerossóis produzidos por um infectado ao falar, gritar, cantar, espirrar ou tossir.
Os 10 motivos
Os cientistas Trisha Greenhalgh, Jose L Jimenez, Kimberly A Prather, Zeynep Tufekci, David Fisman e Robert Schooley escreveram uma carta, que foi publicada na revista científica The Lancet, em abril.
Após análises detalhadas do comportamento e interação das pessoas em ambientes como concertos, navios, matadouros e lares de idosos, os cientistas verificaram que a covid foi transmitida em longo alcance.
Essa é a 1ª evidência apontada pelos pesquisadores da infecção pelo ar. Segundo eles, nesses locais não é possível explicar o grande espalhamento da doença só por meio de gotículas ou contato com superfícies contaminadas.
A 2ª razão apontada pelo sexteto foi a transmissão da doença em hotéis usados por pessoas em quarentena. Mesmo sem o contato direto, foi verificado o contágio da doença.
A transmissão de infectados assintomáticos ou pré-sintomáticos, que não estão tossindo ou espirrando, é responsável por pelo menos 1/3 da transmissão global da doença.
Essa é a 3ª razão apontada para o contágio via aérea. Uma vez que medições diretas mostraram que falar produz milhares de partículas de aerossol e poucas gotas grandes de saliva.
A 4ª razão apresentada foi que a transmissão da covid é maior nos ambientes internos do que nos externos, sendo reduzida nos lugares fechados com boa ventilação.
Ao longo da pandemia, foi verificado alto contágio em hospitais. Nesses lugares é obrigatório o uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individuais), que evita o contato com gotículas e superfícies contaminadas.
“O uso de EPI é projetado para proteger contra a exposição a gotículas, mas não ao aerossol”, comprovaram os cientistas.
O vírus foi encontrado vivo e capaz de infectar no ar e esse é o 6º motivo descrito. Em experimentos de laboratório, o coronavírus seguiu infeccioso por até três horas.
Além disso, foi identificado em amostras de ar de quartos ocupados por pacientes com covid e em amostras de ar do carro de uma pessoa infectada.
“A amostragem de vírus transportados pelo ar é tecnicamente desafiadora por várias razões, incluindo eficácia limitada de alguns métodos para coletar partículas finas, desidratação viral durante a coleta, dano viral devido a forças de impacto, levando à perda de viabilidade”, alertaram.
O vírus da covid foi encontrado nos filtros e dutos de ar de hospitais com pacientes infectados pela doença. O grupo argumentou que esses lugares só poderiam ser alcançados por aerossóis e não por gotículas maiores.
A 8ª razão apontada pelos especialistas foi dada a partir de um estudo com animais. Bichos colocados em gaiolas diferentes, mas interligadas por dutos de ar, foram infectados pela covid, mesmo sem contato direto.
O 9º motivo argumentado foi que nenhum estudo forneceu evidências fortes ou consistentes para refutar a hipótese de transmissão do coronavírus pelo ar.
A última causa citada pelos pesquisadores foi que existem evidências limitadas para apoiar a transmissão por gotículas respiratórias ou superfícies infectadas.
A facilidade de infecção entre pessoas próximas foi apontada como principal prova da transmissão por gotículas respiratórias. Uma vez que as infecções diminuem a partir do distanciamento delas, porque não conseguiriam viajar por distâncias maiores.
Os pesquisados também recusam a hipótese de que as gotículas devem conter mais vírus do que os aerossóis devido ao tamanho.
“No entanto, em doenças onde as concentrações de patógenos foram quantificadas pelo tamanho de partícula, aerossóis menores mostraram concentrações de patógenos mais altas do que gotículas, quando ambos foram medidos”, salientaram.
Cuidados especiais
Os cientistas concluíram: “há evidências consistentes de que a covid se espalha por transmissão aérea. Embora outras rotas possam contribuir, acreditamos que a via aérea provavelmente será dominante. A comunidade de saúde pública deve agir em conformidade e sem demora.”
As provas apontadas pelos pesquisadores indicam que o cuidado e a prevenção devem ser ainda maiores. Medidas como ventilação e filtros de ar em ambientes fechados, uso de máscaras de qualidade, evitar aglomerações e diminuir o tempo de permanência em salas devem ser seguidas para controlar a transmissão da covid. (Com informações do portal R7)
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