Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 21 de março de 2016
Até “remédio” contra o mosquito da dengue é oferecido em feiras livres. “Limpa o sangue e deixa um odor que expulsa o Aedes aegypti”, anuncia o feirante, apontando para uma cesta de inhames. A planta que anda fazendo sucesso na barraca de Sérgio Costa, 67 anos, é apenas um dos alimentos que podem ser encontrados em feiras. A diferença é que, além de alimentar, eles agem como remédios.
São os alimentos funcionais, comprovadamente benéficos à saúde por possuir, além de nutrientes, algumas substâncias capazes de favorecer os processos fisiológicos, acelerar o metabolismo e prevenir ou até tratar doenças crônicas. No caso do inhame, pesquisas mostram que seu consumo duas a três vezes por semana pode prevenir a dengue e acelerar a recuperação de quem já contraiu a doença.
Adeuzira Cavalcanti, 91, sabe de tudo isso há tempos. Totalmente lúcida e com alimentação regrada, ela nunca come carne enlatada e opta por frango caipira, longe de hormônios. “Para tosse, tomo chá de agrião e curo a dor na garganta comendo cebola crua”, diz.
A ciência hoje comprova que as velhas receitas da vovó são realmente eficazes, garante a nutricionista Noádia Lobão, diretora do Centro Brasileiro de Apoio Nutricional. “A sardinha, que é tão barata, é um dos alimentos mais ricos em ômega 3, que tem ação anti-inflamatória e estimula a absorção de nutrientes”, informa. “Alimentos de cor roxa, como beterraba, uva, acerola ou jabuticaba melhoram a circulação, hipertensão, colesterol”, ensina.
Para aqueles que trabalham muito e vivem estressados, a nutricionista recomenda uma receita que pode ajudar a dispensar os remédios tarja preta. “Hortaliças alaranjadas, como cenoura e abóbora, são antioxidantes e ajudam a cabeça a ficar equilibrada.”
A área de hortaliças faz sucesso em feirinhas. “Sempre compro alface, couve, chicória, tomate e agrião. Antigamente não tinha esse hábito e hoje me sinto muito mais forte, resistente e imune”, relata o aposentado Sérgio Luiz Pereira, 63. “É só eu me sentir um pouco doente que recorro à carqueja, boldo, capim-limão. Sempre funciona. Acho melhor do que ficar tomando drogas”, afirma o empresário Marcos Costa, 62.
Limão para dor de cabeça, pimenta contra a depressão.
Educadora em alimentação viva, Fernanda Griem, 32, não faz uso de remédios há dois anos. “Precisamos nos reeducar. Cortar açúcares, comidas industrializadas e até mesmo o leite”, afirma. “Quando sinto dor de cabeça uso bastante o limão. Ele é importante para desintoxicar”, dá a dica. Segundo especialistas, a pimenta funciona no combate à depressão.
Alimentos frescos e sem química são recomendados.
Azeitona para problemas pulmonares, alho no combate ao câncer, coco para prevenir a arterioesclerose, melão para diminuir cólicas menstruais e uva para eliminar a celulite. Essas são algumas dicas de Marcio Bontempo, introdutor da medicina natural científica no Brasil, para tratar doenças de forma simples e barata, trocando a farmácia pela feira.
O médico recomenda alimentos funcionais e suplementos fitoterápicos e destaca ainda “vilões” óbvios, como as carnes embutidas, recém-condenadas pela Organização Mundial de Saúde pelo seu poder cancerígeno. Desde 2009, o médico já alertava para os males do consumo de carnes processadas, como linguiça, presunto e salsicha. Ele também condena o açúcar refinado. “O uso regular de grandes quantidades de açúcar branco produz perda de cálcio e magnésio [e muitos microminerais], o que afeta de modo crônico e constante o nosso sistema imunológico.”
A nutróloga Simone Manso recomenda consumir os alimentos frescos para que os benefícios sejam melhor aproveitados. Conforme ela, também deve-se consumir alimentos industrializados com muito cuidado, pois “são cheios de química”. (AD)
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