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Saúde O dilema das mulheres que não podem mais esperar para engravidar

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Brasil é o líder no ranking de fertilização in vitro (FIV). (Crédito: Reprodução)

O avanço da microcefalia relacionada ao zika vírus vem angustiando quem tem pressa para ter um filho, por estar em uma idade limite ou na reta final de um tratamento de reprodução assistida. Entre médicos, é unânime o entendimento de que, no caso dessas mulheres, não vale uma recomendação simplista do tipo “não engravide”. Os profissionais defendem que, depois de prestadas todas as orientações, a decisão delas deve ser apoiada.

Representante da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, Geraldo Duarte aponta como justificável aconselhar uma mulher jovem e saudável a adiar por um tempo os planos de gravidez, mas considera uma “arbitrariedade” fazer o mesmo em determinados casos.

Reprodução assistida.

Embora a decisão seja da mulher, serviços públicos e clínicas privadas de reprodução assistida vêm se resguardando de futuros problemas relacionados ao zika, condicionando a continuidade do tratamento para engravidar à assinatura de um termo de esclarecimento. As mulheres assinam a declaração atestando que receberam todas as informações sobre os riscos do zika para o bebê – incluindo as muitas lacunas científicas ainda existentes a respeito do vírus.

A médica Rosaly Rulli Costa conta que, apesar do pânico gerado pelo aumento dos casos de microcefalia associada ao zika, as pacientes têm mantido os planos de tentar engravidar. “O medo existe, mas não registramos ainda desistências. (..) Elas esperam de dois a três anos para serem chamadas. (…) Quando chega a hora, a paciente não quer perder a chance. Temos que dar todas as orientações para que decidam da melhor maneira possível.”

O diretor da Rede Latinoamericana de Reprodução Assistida, Adelino Amaral, disse que já existe uma movimentação no sentido de postergar o tratamento, nas clínicas particulares, para depois do verão, época em que há alta proliferação do Aedes aegypti. Contudo, de forma muito localizada, apenas nos Estados mais atingidos pela microcefalia.

A percepção é compartilhada por Hitomi Miura, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, para quem a maior dificuldade, hoje, é a falta de certezas sobre o zika. “Assusta porque tudo é muito novo, não temos dados seguros. De qualquer maneira, nossa missão é munir as pacientes de informações, assim como fazemos sobre os riscos de outras doenças em função da idade da mulher, por exemplo.”

O Conselho Federal de Medicina não tem posição definida sobre recomendar ou não a gravidez no cenário atual. A entidade começou a fazer debates internos para se manifestar em breve a respeito de questões relacionadas à microcefalia. Dificilmente, no entanto, haverá uma diretriz sobre a conveniência de engravidar.

Refúgio internacional.

O medo do zika tem levado grávidas a se refugiarem no exterior. Se, antes, brasileiras recorriam a uma rede informal de médicos que atendem estrangeiras interessadas em ter filhos nos Estados Unidos com o objetivo de garantir cidadania americana, começam agora a surgir casos de mulheres que simplesmente estão fugindo do zika.

Mas o refúgio internacional demanda dinheiro. O valor varia conforme o hospital escolhido nos pacotes disponibilizados. O mais barato sai a quase 10 mil dólares, se o parto for natural. Cesáreas beiram os 12 mil dólares, algo em torno de 48 mil reais pela cotação atual. Os preços são para grávidas a partir do 7 mês. Com a chegada adiantada delas, por causa do zika, o valor sofre acréscimos, dependendo do tempo de gestação. (AG)

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