Sexta-feira, 29 de maio de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Geral “Considero que fui usado”, afirma empresário que repassou fake news

Compartilhe esta notícia:

O empresário Meyer Joseph Nigri afirma ter repassado mensagens “a pedido” do ex-presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Reprodução)

Ainda alvo do inquérito sobre supostos diálogos golpistas, o empresário Meyer Joseph Nigri afirma ter repassado mensagens “a pedido” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para “suscitar debates” em “poucos grupos” no WhatsApp. Ao jornal O Estado de S. Paulo, o fundador da Tecnisa disse que “não tinha conhecimento sobre a veracidade ou não do conteúdo” das informações encaminhadas pelo ex-chefe do Executivo federal. “Confesso que, às vezes, nem lia a mensagem que repassava”, afirmou. “Olhando retrospectivamente, considero que fui usado.”

No celular de Nigri, os investigadores encontraram uma mensagem atribuída ao ex-presidente que pede “repasse ao máximo” de um texto com ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal e alegações sobre fraude nas urnas eletrônicas. Ao jornal, o empresário admitiu o compartilhamento da mensagem, mas negou ter aderido à tese de Bolsonaro. Nigri ainda sustentou não ver “qualquer possível elo” das mensagens com os atos golpistas de 8 de janeiro – ligação aventada pelos investigadores, que enxergam uma escalada de tensões culminando da depredação das dependências dos três Poderes.

O fundador da Tecnisa seguirá na mira da Polícia Federal por pelo menos mais 60 dias: o ministro do STF Alexandre de Moraes prorrogou o prazo do inquérito que o atinge. A PF apontou indícios de “relação pessoal” entre a família Bolsonaro e o empresário. Leia a seguir, os principais trechos da entrevista.

– O ex-presidente enviou mensagem ao sr. – “repasse ao máximo” – uma notícia que a Polícia Federal reputa falsa, com alegação sobre “fraudes nas urnas”. Foi uma ordem de Jair Bolsonaro? Por que a acatou? “Não se tratou de ordem de Jair Bolsonaro, mas de um pedido. Apenas repassei algumas mensagens recebidas e para poucos grupos que já integrava, justamente para suscitar o debate sobre os temas, até porque não tinha conhecimento sobre a veracidade ou não do conteúdo dessas mensagens. Além disso, quando repassava uma mensagem não necessariamente concordava com seu conteúdo. Confesso que, às vezes, nem lia a mensagem que repassava. À PF, esclareci que, por vezes, encaminhei mensagens sem necessariamente concordar com elas ou mesmo lê-las. Caso típico foi a mensagem que questionava a eficácia das vacinas. Aliás, tomei três doses da vacina contra a covid. Olhando retrospectivamente, considero que fui usado.

– Para quem o sr. repassou mensagens com ataques ao Supremo e fake news a mando do ex-presidente? Qual foi a intenção do sr.? “Reitero que não foi a mando dele. Recebi como um pedido. Limitei-me a encaminhar algumas mensagens para poucos grupos fechados e conversas privadas no WhatsApp e, como dito, a intenção era somente fomentar o debate sobre os temas contidos nelas. Reitero, inclusive, que muitas vezes não lia as mensagens. Agora, faço o registro que, se ofendi alguém por repassar mensagens que possam ofender a quem quer que seja, peço, publicamente, desculpas.

– Como o sr. conheceu Jair Bolsonaro?Já não me lembro ao certo como o conheci. Pode ter sido pelo meu filho que conhecia um filho de Bolsonaro, mas, passado tanto tempo, confesso que não me lembro.”

– São amigos?Tínhamos apenas contatos esporádicos. Aliás, nunca saí para jantar com ele. A única vez que ele esteve em casa foi quando eu saí do hospital, após 160 dias de internação por conta da covid que quase me levou à morte. Ainda estou em processo de recuperação devido às sequelas.”

– A pedido da Polícia Federal, o ministro Alexandre de Moraes prorrogou a investigação sobre o sr. e o empresário Luciano Hang por mais 60 dias. Teme ser alvo de um mandado de prisão? “Tendo em vista que apenas repassei algumas mensagens para poucos grupos fechados de WhatsApp, com a única intenção de promover o debate de ideias sobre o conteúdo delas, com o qual muitas vezes não concordava, entendo que não pratiquei qualquer crime. Tenho colaborado amplamente com as investigações, sempre me colocando à disposição das autoridades, e, portanto, essa ideia de prisão preventiva me parece descabida, mesmo porque ela é reservada para quem atrapalha as investigações.

– Qual a relação do sr. com o procurador Augusto Aras? Por que tentou interferir nas investigações que o citam?Tenho relação de amizade com o procurador-geral (da República), Augusto Aras, e jamais tentei interferir na investigação. Apenas encaminhei a reportagem do site Metrópoles e lhe perguntei o que ele pensava sobre aquilo. Isso não é interferir em coisa alguma. Reitero, forneci a senha do meu aparelho celular e respondi a todos os questionamentos das autoridades.”

– Como foi a reunião com a vice-PGR Lindôra Araújo? O que conversaram?A reunião teve como objetivo apresentar à vice-PGR o CEO da instituição Stand With Us, da qual também sou conselheiro. Esta instituição tem o objetivo de educar e esclarecer sobre o Estado de Israel e combater o antissemitismo.”

– O 8 de Janeiro, para o sr., foi um ato antidemocrático? Por quê?Não sou político ou jurista, mas deploro os atos de vandalismo, as invasões e todo tipo de manifestação que atente contra a democracia e o poder democraticamente constituído. Tenho minha vida ligada a atos de filantropia, ajudando pessoas e instituições, e acredito no processo democrático. Por isso, nunca apoiei os atos de 7 de Setembro nem muito menos os atos de vandalismo de 8 de janeiro, que deploro.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Geral

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Petrobras fecha 71 acordos em processos trabalhistas que chegam a quase R$ 2 milhões
Maconha: veja países que derrubaram restrições e o que o cenário indica como possível tendência para o Brasil
Pode te interessar