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Economia Construção, alimentos e transportes já veem impacto de alta do diesel em preços e custos

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Aumento de combustível deve se disseminar rapidamente por toda a economia.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Aumento de combustível deve se disseminar rapidamente por toda a economia. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O aumento de quase 25% do preço do óleo diesel deve se disseminar rapidamente na economia e atingir preços que vão do transporte de passageiros ao frete de produtos, passando pela construção civil e por itens básicos do dia a dia, como os alimentos. Nesta sexta-feira (11), dia em que o reajuste anunciado pela Petrobras para os combustíveis entrou em vigor, representantes destas atividades afirmaram que, diante da incerteza quanto à duração da guerra na Ucrânia, o cenário a curto prazo é de alta da inflação, com aumento de custos repassados ao consumidor.

O diretor técnico da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Bruno Lucchi, disse que o agronegócio brasileiro será prejudicado como um todo. Os produtos com preços mais afetados são aqueles cujas cadeias são mais intensivas em mecanização, como cana-de-açúcar, soja, milho e café.

“O frete vai encarecer e afetar diretamente o orçamento do produtor rural. E quando há aumento dos preços dos combustíveis, há um repasse para todos os produtos e serviços da economia brasileira, uma vez que o principal modal que usamos é o rodoviário, afirmou Lucchi.

Os impactos também serão observados na construção civil. José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), afirmou que o frete é um forte componente dos custos das empresas, e a alta será percebida mais rapidamente nas cotações de produtos como brita, areia e cimento.

“O óleo diesel é o básico para todos os nossos custos. Obras de terraplanagem, estradas, pontes. Esse insumo pesa muito”, disse Martins.

Estatal terá de se explicar

A principal preocupação da construção civil é com obras públicas, em que não há repasses de preços. A terraplanagem, por exemplo, é altamente dependente do óleo diesel. O risco, de acordo com o setor, é não conseguir executar os serviços sem algum tipo de compensação.

O dia ontem foi de mais reações à alta anunciada pela Petrobras, que inclui também um reajuste de 18,8% na gasolina e de 16,06% no gás de cozinha vendidos às distribuidoras. A juíza federal Flávia de Macêdo Nolasco, da 9ª Vara Federal do Distrito Federal, deu prazo de 72 horas ao presidente Jair Bolsonaro e à Petrobras para que expliquem o aumento anunciado pela petroleira no preço dos combustíveis.

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, também cobrou esclarecimentos à Petrobras. O órgão ainda notificou a refinaria de Mataripe (BA), vendida pela Petrobras ao fundo árabe Mubadala, e deu prazo de dez dias para que empresa preste esclarecimentos sobre fornecimento e elevação nos preços dos combustíveis.

O aumento desencadeou uma série de cobranças por compensações para mitigar o impacto sobre a atividade econômica. O setor de transportes deve repassar os custos no preço do frete. Francisco Pelucio, presidente da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), disse que o aumento do diesel deve fazer com que o custo do frete tenha um ajuste mínimo de 8,75%.

Pressão por subsídio

Segmentos como o de transporte urbano pressionam o governo por subsídios para não repassarem os preços aos consumidores.

“Vamos dizer que o custo da prestação de serviço é de R$ 5 por passageiro: o prefeito decide fixar a tarifa em R$ 4 e tira dos cofres públicos R$ 1 para compensar a diferença que falta para estabelecer a tarifa de remuneração”, disse o presidente-executivo da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Francisco Christovam.

Na quinta-feira, o Congresso aprovou a redução do PIS/Cofins sobre o diesel e a mudança no ICMS sobre os combustíveis. O objetivo do governo é reduzir em R$ 0,60 o valor do litro do diesel.

Sócio-gestor da consultoria de negócios Inter.B, o economista Claudio Frischtak acredita que, apenas levando em conta a conjuntura atual, a inflação medida pelo IPCA em 2022 deve ficar entre 7% e 7,5%, ante uma previsão anterior de 5,5%. Ele ressaltou que, a curtíssimo prazo, o setor mais atingido será o de transportes.

“O problema é que o transporte é um insumo presente praticamente em todos os setores, direta ou indiretamente, da economia. De imediato, quem sentirá mais o golpe é o setor de transporte e, em um segundo momento, toda a economia. Você não sabe quanto tempo a guerra vai durar, e a gente não sabe a extensão e a intensidade das sanções e as retaliações”, disse.

A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), que reúne empresas que cuidam de estradas concedidas, lembra que o preço do asfalto subiu mais de 70% só no ano passado.

“Os aumentos do preço do asfalto comprometem o caixa das concessionárias e a capacidade de investimento das empresas”, disse Marco Aurélio Barcelos, diretor-presidente da entidade.

Em outra frente, o governo também monitora a movimentação de caminhoneiros autônomos, insatisfeitos com o aumento do diesel. O Ministério da Infraestrutura descartou o risco de paralisações.

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