Segunda-feira, 03 de Agosto de 2020

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Mundo Coronavírus ameaça a alimentação das crianças na África do Sul

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A pandemia de coronavírus fechou durante dois meses as escolas de toda a África do Sul e deixou 12 milhões de alunos sem aulas

Foto: Reprodução
A pandemia de coronavírus fechou durante dois meses as escolas de toda a África do Sul e deixou 12 milhões de alunos sem aulas. (Foto: Reprodução)

A pandemia do novo coronavírus, que forçou o fechamento das escolas, ameaça a alimentação de muitas crianças da África do Sul, para as quais a escola é o único lugar que garante o acesso a uma refeição completa.

“Algumas crianças se alimentam apenas das refeições que recebem na escola”, disse Thabang Letsoso, diretor do colégio do ensino médio Sitoromo, na pequena cidade rural de Sterkspruit, na província de Cabo Oriental.

A pandemia de coronavírus fechou durante dois meses as escolas de toda a África do Sul e deixou 12 milhões de alunos sem aulas, longe dos amigos e, nas áreas mais pobres, sem a única refeição quente do dia.

Os estudantes de 12 a 17 anos retornaram às aulas em junho. Mas o avanço da doença – o país registra mais de 200.000 casos e 3.000 mortes – obrigou as autoridades a adiar o retorno dos demais alunos nas regiões mais afetadas.

Este é o caso de Cabo Oriental, onde a próxima etapa de volta às aulas está prevista para 20 de julho. No caso da escola Sitoromo de Sterkspruit, isto significa que 368 alunos ficarão afastados do centro de ensino por quatro meses.

“Desde março estão em casa, onde não acontece nada”, lamenta o diretor Letsoso. “Às vezes, alguns vão dormir com o estômago vazio”. Antes da pandemia, quase nove milhões de alunos de escolas públicas sul-africanas eram beneficiados por uma refeição gratuita por dia, subsidiada pelo governo.

Mas o confinamento interrompeu a medida, sem um programa substituto. Segundo uma pesquisa da ONG Equal Education, mais de um terço dos alunos tiveram dificuldades de alimentação com o fechamento das escolas.

Em um momento difícil, Nondabezitha Sikunya ficou muito feliz com o retorno da neta de 12 anos à escola Sitoromo. “Pelo menos, quando está na escola não sente fome”, disse a avó de 55 anos, cujo salário de trabalhadora comunitária não é suficiente para alimentar toda a família.

A ministra da Educação, Angie Motshekga, ameaçada de denúncias pela associação Equal Education, anunciou programas para “alimentar os alunos que não foram autorizados a voltar à escola”.

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