Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 9 de abril de 2020
A Federação Nacional das Ordens dos Médicos da Itália (Fnomceo) informou que o número de médicos mortos por conta da pandemia do novo coronavírus chegou a 100 nesta quinta-feira (9). Em 24 horas, quatro médicos de família morreram.
“Não podemos permitir que nossos médicos, nossos profissionais da saúde, sejam enviados a combater o vírus de mãos vazias”, disse Filippo Anelli, presidente da federação, na página da entidade na internet. “É um combate desigual que nos traz danos, que causa danos aos cidadãos e ao país”.
A conta da entidade leva em consideração os profissionais que estão em atividade, aposentados, aposentados que foram convocados para trabalhar na pandemia ou que prestavam serviços de assistência também por conta da crise.
Na terça-feira, outra entidade, a Federação Nacional da Ordem dos Profissionais da Enfermagem (Fnopi) havia informado que 26 enfermeiros também faleceram por causa da Covid-19 desde o início do surgimento da doença.
Já a associação dos maiores sindicatos dos médicos hospitalares da Itália, Annao-Assomed, informou no mesmo dia que 12.681 operadores de saúde — o que inclui médicos, enfermeiros e demais profissionais que atuam na linha de frente nos hospitais — haviam contraído a doença.
O número total de mortos na Itália desde o surgimento do surto em 21 de fevereiro chegou a 18.279, disse a Agência de Proteção Civil, o que representa a maior quantidade no mundo. O número de casos confirmados subiu para 143.626, a terceira maior contagem global, atrás dos Estados Unidos e da Espanha.
De acordo com o Instituto Superior de Saúde (ISS), cerca de 10% de todas as pessoas infectadas na Itália são profissionais da saúde.
“Nosso objetivo é ajudar os pacientes (…) e estamos demonstrando isso nesta pandemia: é entre os enfermeiros que encontramos a maior porcentagem de profissionais da saúde infectados, em torno de 52%. Entre os enfermeiros, existem aqueles que morrem da doença por estarem próximos dos pacientes, mas, mesmo assim, se aproximam sem hesitação”, afirmou Barbara Mangiacavalli, presidente da Federação Nacional da Ordem dos Profissionais de Enfermagem (FNOPI).
Possibilidade de retorno gradual
A Itália pode começar a suspender gradualmente algumas restrições em vigor com o objetivo de conter a disseminação do novo coronavírus até o final de abril, contanto que a propagação da doença continue a diminuir, disse o primeiro-ministro, Giuseppe Conte, à emissora britânica “BBC” nesta quinta-feira.
“Precisamos escolher setores que possam retomar suas atividades. Se os especialistas o confirmarem, podemos começar a relaxar algumas medidas já no final deste mês”, disse Conte, alertando, porém, que a Itália não pode baixar a guarda e que as restrições só serão amenizadas gradualmente.
A Itália impôs um isolamento nacional em 9 de março. Duas semanas depois, Conte anunciou que serviços e comércios não essenciais, como de carros, vestuário e móveis, teriam que fechar. As empresas do polo industrial do norte italiano vêm pedindo ao governo que lhes permita reabrir as fábricas para evitar uma catástrofe econômica, embora seja a área mais atingida pelo coronavírus. As informações são da agência de notícias Ansa e do jornal Extra.
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