Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 20 de abril de 2020
Um estudo do sindicato mundial dos jogadores de futebol (Fifpro), divulgado nesta segunda-feira (20), aponta que ao menos um em cada dez atletas (13%) apresenta sintomas de depressão após a paralisação do esporte em razão da pandemia do novo coronavírus.
O projeto foi conduzido entre 22 de março e 14 de abril e ouviu 1.602 jogadores em 16 países que adotaram práticas de isolamento social, como Inglaterra, França, Austrália e Estados Unidos. Neste grupo, estão incluídas 468 mulheres.
Cerca de 13% dos homens e 22% das mulheres apresentaram sintomas de depressão. Um estado de “ansiedade generalizada” foi detectado em 18% dos jogadores e em 16% das jogadoras.
“No futebol, de repente, jovens atletas estão em isolamento social, com uma suspensão de suas vidas e dúvidas sobre o futuro”, apontou Vincent Gouttebarge, ex-jogador francês e chefe médico da Fifpro.
Com muitos países sob normas rígidas de confinamento para tentar impedir a propagação do coronavírus, Gouttebarge atenta que diversos atletas profissionais vivem no exterior, sem a presença de suas famílias. Eles também precisam lidar com a insegurança a respeito de suas carreiras, uma vez que vários têm contratos perto do fim.
A enquete da Fifpro, realizada junto ao hospital da Universidade de Amsterdã, dá continuidade a um estudo realizado entre dezembro e janeiro, quando apenas 6% dos homens e 11% das mulheres demonstraram sintomas de depressão.
“Ao realizar o estudo e publicar os resultados, somos muito conscientes de que estamos comunicando uma reflexão sobre um problema social que afeta muito mais gente”, assinalou o secretário-geral da Fifpro, Jonas Baer-Hoffmann.
Apesar disso, a Fifpro não quer que as preocupações com a saúde mental dos esportistas seja usada como argumento para retomar as competições antes da hora.
“Se colocarmos pressão sobre os jogadores para fazê-los voltar a um meio em que sua saúde esteja em perigo, podemos aumentar sua ansiedade e sua preocupação”, alerta Baer-Hoffmann. “A ênfase deve estar em compreender que os jogadores de futebol são mais parecidos com o restante da sociedade do que as pessoas pensam.”
Como qualquer cidadão, os atletas enfrentam medidas de isolamento social desde março para conter o coronavírus. A pandemia já provocou a morte de 164 mil pessoas no mundo, dois terços das vítimas na Europa. As informações são da agência de notícias AFP.
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