Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 4 de maio de 2021
A Polícia Civil do Rio de Janeiro vai investigar uma dentista de Campo dos Goytacazes, no Norte do Estado, acusada de deformar o rosto de ao menos 40 mulheres após procedimento estético.
As denúncias contra Giselle Gomes vieram à tona após reportagem exibida pelo programa “Fantástico“, da TV Globo no último domingo (2).
De acordo com a reportagem, as vítimas relatam que foram ao consultório de Giselle para fazer um procedimento, mas que eram induzidas a fazerem outros, como harmonização orofacial, botox, bichectomia, fios e até lipoaspiração.
As denúncias apontam que a Giselle Gomes prometia aplicar ácido hialurônico. Mas, de acordo com a polícia, ela aplicava o polimetilmetacrilato – o PMMA. O material não é proibido, mas não é indicada para tratamentos estéticos.
Depois que as vítimas procuraram a polícia, o Ministério Público denunciou a dentista por lesão corporal gravíssima, estelionato e exercício ilegal da profissão. A Justiça também suspendeu as redes sociais e afastou a dentista.
A defesa da dentista disse que “poucas pacientes tiveram alguma intercorrência dentro de um universo de quase dois mil procedimentos” e que “os produtos utilizados eram informados aos pacientes”.
Apesar da afirmação da defesa, pacientes dizem que isso não é verdade.
Segundo as vítimas, Giselle era persuasiva e conseguia convencer as clientes a fazer diversos tipos de tratamento em seu consultório.
A cabeleireira Lana Velasco foi uma das vítimas da dentista. A profissional realizou um preenchimento labial e cerca de uma semana depois do procedimento apresentou uma deformação nos lábios.
“Eu não quis ver ninguém por causa disso, as pessoas perguntavam porque eu havia feito isso então, preferi me isolar”, conta.
Giselle ostentava diversos certificados nas redes sociais. No entanto, de acordo com uma investigação, ela não tinha permissão para realizar os procedimentos.
A advogada Andréa Paes, que representa 25 vítimas, diz que Giselle conseguiu se aproximar das clientes e se mostrar prestativa nas primeiras consultas. No entanto, quando era necessário realizar uma revisão, ou havia reclamações, ela assumia uma personalidade agressiva.
“Em primeiro momento, ela é amorosa, ela entende o problema do outro. Então, ela realiza o procedimento. Quando a pessoa volta para revisão e se queixa de alguma coisa, ela se transforma numa pessoa grossa, arrogante, debochada”, disse Andréa ao “Fantástico”.
Na casa de Giselle foram encontradas diversas seringas de PMMA, além de que cheques não descontados e agenda de atendimentos.
O MP denunciou a profissional por lesão corporal gravíssima, estelionato e exercício ilegal da profissão.
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