Terça-feira, 07 de Abril de 2020

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Geral Depressão, tendências suicidas e psicopatia: a história de sofrimento mental de presidentes americanos

O governo americano enviará 1,5 mil soldados e sistema de mísseis ao Oriente Médio. (Foto: Joyce N. Boghosian/White House Photo)

Donald Trump não é o primeiro presidente a ser chamado de desequilibrado por inimigos políticos e profissionais da área médica. Alguns de seus antecessores foram diagnosticados com problemas de saúde mental, incluindo ansiedade social, transtorno bipolar e até psicopatia, dizem especialistas.

No verão de 1776, a Guerra de Independência dos Estados Unidos estava indo tão mal para os rebeldes que George Washington aparentemente tentou uma ação suicida ao encontrar tropas britânicas.

Enquanto seus combatentes fugiam em pânico na baía de Kip, em Manhattan, o comandante de 44 anos entrou em estado catatônico, segundo o biógrafo Ron Chernow. Washington permaneceu montado em seu cavalo encarando o espaço vazio enquanto dezenas de soldados britânicos atacavam-no em um milharal.

Os assistentes do futuro primeiro presidente dos EUA agarraram as rédeas de sua montaria e com alguma dificuldade conseguiram levá-lo à segurança.

Um dos seus generais, Nathanael Greene, disse mais tarde que Washington estava “tão irritado com a má conduta de suas tropas que ele buscou a morte em vez da vida”.

O colapso emocional de Washington ilustra como até mesmo os maiores administradores de crises podem quebrar sob pressão.

Avançando quase dois séculos e meio, o estado mental de seu descendente político está sob uma análise menos compreensiva. A psiquiatria presidencial voltou à moda desde que Donald Trump entrou na Casa Branca.

Doença mental

De acordo com uma análise psiquiátrica dos primeiros 37 comandantes-em-chefe americanos, Adams, Roosevelt e Wilson tinham problemas reais de saúde mental.

O estudo de 2006 estimou que 49% dos presidentes sofreram de uma doença mental em algum momento da vida (um número que os pesquisadores afirmam estar de acordo com as taxas nacionais).

Vinte e sete por cento deles foram afetados por esses distúrbios enquanto estavam no escritório.

Um em cada quatro preencheu os critérios diagnósticos para depressão, incluindo Woodrow Wilson e James Madison, disse a equipe do Centro Médico da Universidade Duke, na Carolina do Norte.

Eles também concluíram que Teddy Roosevelt e John Adams tinham transtorno bipolar, enquanto Thomas Jefferson e Ulysses Grant lutavam contra a ansiedade social.

O professor Jonathan Davidson, que liderou o estudo, disse: “As pressões de tal trabalho podem desencadear problemas que estavam latentes em alguém.”

“Ser presidente é extremamente estressante e ninguém tem capacidade ilimitada de fazê-lo para todo o sempre”.

Woodrow Wilson teve seu derrame em 1919 durante uma luta condenada para que o Tratado de Versalhes, tratado de paz assinado pelas potências europeias que encerrou a Primeira Guerra Mundial, fosse aprovado.

O derrame deixou-o incapacitado e, depois desse episódio, ele sofreu com depressão e paranoia até o fim de sua Presidência, em 1921. A primeira-dama, Edith Wilson, praticamente dirigiu a Casa Branca, deixando oponentes furiosos sobre seu “governo de anáguas”.

No momento em que Wilson deixou o cargo, um repórter disse que ele era um medroso e “os restos quebrados do homem” que uma vez fora.

Propensão à melancolia

Abraham Lincoln foi propenso durante toda sua vida à melancolia, segundo o biógrafo David Herbert Donald.

Em 1841, em Springfield, Illinois, enquanto atuava como legislador estadual, Lincoln rompeu seu noivado com Mary Todd (eles eventualmente se casaram) e mergulhou em profunda depressão.

Um amigo colocou-o sob supervisão antisuicida, removendo navalhas e facas de seu quarto. Havia rumores na capital do Estado de que ele havia enlouquecido.

Dada sua morosidade, os assessores devem ter temido a maneira como ele lidaria, durante a Guerra Civil Americana, com a morte de seu filho de 11 anos, Willie, provavelmente de febre tifoide, na Casa Branca em fevereiro de 1862.

Presidentes “psicopatas”

Apesar do estigma persistente da doença mental, alguns especialistas acreditam que essas descobertas possam ajudar alguns líderes – até um certo ponto.

Um estudo de 2012 realizado por psicólogos da Universidade Emory, no Estado americano da Geórgia, revelou que vários presidentes exibiam traços psicopáticos, incluindo Bill Clinton.

Os dois considerados mais psicopatas foram Lyndon Baines Johnson (1963-1969) e Andrew Jackson (1829-1837), o herói de Trump.

Atributos psicopáticos foram identificados pela equipe de Emory como charme superficial, egocentrismo, desonestidade, insensibilidade, tomada de riscos, mau controle dos impulsos e falta de medo.

A pesquisa cobriu todos os presidentes, exceto o atual e o antecessor, Barack Obama.

O professor Scott Lilienfeld, que liderou o estudo, diz: “Eu suspeito que, no longo prazo, essas características vão chegar a (outras) pessoas. Então, sim, elas podem permitir que pessoas subam a posições de liderança.”

“Mas estou menos confiante de que elas resultarão em melhor liderança geral, especialmente a longo prazo.”

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