Domingo, 10 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 10 de maio de 2026
Apesar da renda recorde em 2025, a desigualdade de renda voltou a crescer no Brasil em 2025, após atingir o menor nível da série histórica no ano anterior. O movimento ocorreu porque a renda dos mais ricos avançou em ritmo mais acelerado do que a dos mais pobres entre 2024 e 2025. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de Rendimento de todas as fontes 2025, divulgada pelo IBGE.
Segundo os dados, a renda per capita por domicílio dos 10% mais pobres da população subiu 3,1% no período, saindo de R$ 260 reais enquanto a dos 10% mais ricos cresceu 8,7% — uma alta quase três vezes maior. Essa diferença se refletiu no índice de Gini da renda média domiciliar per capita, principal indicador de desigualdade do país, que passou de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025.
O índice vai de zero a 1, e quanto mais próximo de 1, mais desigual.
Na comparação de longo prazo, porém, a renda da população de menor renda ainda acumula crescimento mais forte. Entre 2019 e 2025, a renda dos 10% mais pobres aumentou 78,7%, enquanto a dos 10% mais ricos teve alta de 11,9%.
Por outro lado, a renda de todo o grupo que representa os 40% da população com menores rendimentos alcançou o maior valor da série histórica em 2025, embora, ainda assim, tenha crescido em ritmo inferior ao observado entre os mais ricos na comparação com o ano anterior. Em relação a 2024, houve alta de 4,7%. Já na comparação com 2019, o crescimento foi de 37,6% na média nacional.
Concentração de renda
Especialistas apontam que o Brasil tem dificuldade de reduzir a desigualdade de forma contínua porque a renda segue muito concentrada no topo da pirâmide. Segundo eles, reduzir pobreza e extrema pobreza não é suficiente sem medidas que também atinjam os mais ricos, como mudanças tributárias.
— O topo de renda do Brasil se beneficia inclusive de taxas de juros muito elevadas, já que as aplicações financeiras acabam remunerando mais. Então, o Brasil só vai conseguir diminuir mais consistentemente a desigualdade quando tornar a cobrança de impostos mais progressiva, atingindo mais esse topo da pirâmide — avaliou João Mário de França, pesquisador do FGV Ibre.
Enquanto beneficia os mais ricos, a taxa de juros em patamar muito alto é penosa para o resto da população, que acaba caindo no endividamento. De acordo com dados do Serasa divulgados na última terça, o número de inadimplentes já chega a 49% da população adulta do país.
Isso se soma ao encarecimento acumulado de itens essenciais, como alimentos e aluguel que pesam na percepção de bem-estar da população, especialmente entre os mais pobres.
— É o topo crescendo e o fundo tendo uma percepção de que a vida não está melhorando, apesar de emprego e renda real em nível recorde — apontou André Valério, economista sênior do Banco Inter. Com informações do portal O Globo.
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