Quarta-feira, 27 de Maio de 2020

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Notícias Detentos gaúchos intensificam a produção de barras de sabão para ajudar na prevenção ao coronavírus em presídios

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Em algumas unidades o sistema se assemelha ao de "minifábricas". (Foto: Divulgação/Susepe)

A inclusão do Rio Grande do Sul no mapa da pandemia mundial de coronavírus tem motivado o engajamento dos mais variados segmentos da população gaúcha. Dentre eles está o de apenados de estabelecimentos prisionais, que nas últimas semanas têm intensificado a produção de barras de sabão, produto simples, barato e essencial para ações de higienização.

É o caso da Penitenciária Estadual de Arroio dos Ratos (Região Carbonífera): a elaboração manual iniciada há três anos evoluiu nesta semana para uma minifábrica, com maior capacidade. “No ano passado, foi adquirida uma máquina por meio do Conselho da Comunidade, com recursos da Vara de Execuções Criminais de São Jerônimo, mas faltava ainda organizar a estrutura”, explica o diretor da unidade, José Giovani Souza.

“Por conta da Covid-19, conseguimos agilizar a ativação de um local para instalarmos e iniciarmos esse processo semi-industrial”, acrecenta. A previsão é de que os apenados produzam cerca de 4,5 mil barras até a próxima semana. Os produtos serão destinados a estabelecimentos prisionais da região.

Já a Penitenciária Estadual de Santa Maria (Região Central) desenvolve desde 2016 um programa para confecção de sabão ecológico e agora intensificou a produção para 300 barras por semana, a fim de atender a todos os apenados do local. “Neste momento de crise, a ação foi ampliada para diminuir os riscos de contágio”, relata a assistente social Aline Lima, da Susepe (Superintendência dos Serviços Penitenciários).

Também em função do coronavírus, nesta semana foi elaborado um projeto no Presídio Regional de Santa Cruz do Sul (Vale do Rio Pardo) para utilização de mão-de-obra prisional para confecção não apenas de sabão, mas também de sabonete e água sanitária. A ação deve ocorrer em parceria com a Unisc (Universidade de Santa Cruz do Sul), que ficará de responsável técnica.

“Elaboramos um projeto com a necessidade básica de materiais para elaboração desses produtos e devemos iniciar em breve. Os apenados já estão capacitados para darem início ao trabalho e assim conseguiremos abastecer a demanda da casa prisional e de todos os presídios da região”, adiantou a delegada penitenciária da 8ª Região, Samantha Longo.

Vantagens socioeconômicas e ambientais

A produção de sabão pelos apenados gera economia para o Estado, aprendizado profissional aos apenados e também preservação ambiental em função do reaproveitamento de resíduos, já que a base é óleo de cozinha reutilizável. Segundo a coordenadora da Divisão de Trabalho do Departamento de Tratamento Penal da Susepe, Elisandra Minozzo, o processo apresenta múltiplas vantagens:

“Trata-se de um momento importante para pensarmos em estratégias que possam minimizar possíveis novos contágios do coronavírus, especialmente entre populações mais vulneráveis, além de seguirmos atuando no tratamento penal, com a profissionalização das pessoas presas”.

A Susepe e a Seapen (Secretaria da Administração Penitenciária) também estão organizando a implantação de oficinas de confecção de máscaras de proteção individual para distribuição em todas as regiões penitenciárias do Rio Grande do Sul. No Presídio Feminino de Torres (Litoral Norte) e no Presídio Feminino de Lajeado (Vale do Taquari), as produções já começaram.

Além disso, apenados do Presídio de Cruz Alta (Centro-Norte gaúcho) e da Penitenciária de Osório (Litoral Norte) estão confeccionando lençóis destinados a hospitais para a área de internação dos pacientes acometidos pelo coronavírus.

(Marcello Campos)

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