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Rio Grande do Sul Devastada pela enchente, Roca Sales, no Vale do Taquari, vive entre a reconstrução e a migração

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O município já havia sofrido uma grande enchente em setembro de 2023

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
O município já havia sofrido uma grande enchente em setembro de 2023. (Foto: Bruno Peres/Agência Brasil)

O município de Roca Sales tenta se reconstruir em meio a uma onda de migração de quem não acredita mais na viabilidade da cidade, que fica às margens do rio Taquari. O Vale do Taquari foi uma das regiões mais afetadas pelas enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em maio.

Pouco mais de 50 dias após a maior catástrofe climática do Estado, há casarões completamente abandonados por moradores que temem em voltar a investir nas residências em Roca Sales. O município já havia sofrido uma grande enchente em setembro de 2023 e soma quatro cheias no intervalo de dez meses.

O policial civil Glauco Kummer, de 45 anos, contou que a água subiu 1 metro acima da casa onde mora. “A outra [enchente] já tinha tapado o telhado, mas essa foi maior e arrancou todo o telhado fora, então, o prejuízo é muito maior. Limpamos a casa, mas a expectativa de o meu pai voltar é mínima. Aqui na frente mora meu tio, que não vai mais mexer na casa e já saiu da cidade. Está todo mundo muito abalado”, contou.

Glauco disse que a família tem a casa há 42 anos e, antes de setembro do ano passado, nunca havia tido uma enchente que invadisse a residência.

Preços elevados

Outro problema enfrentado pelos moradores é o aumento dos preços dos terrenos, das casas e dos aluguéis após as enchentes. Segundo relatos, o valor dos imóveis subiu entre 50% e 80%. De acordo com a prefeitura, 400 famílias seguem sem moradia.

A vendedora Júlia Almeida, de 20 anos, pensa em deixar Roca Sales. “Não tem onde morar. Construir casa está mais difícil agora porque você não acha locais onde não pega água. Além disso, o valor ficou mais caro. Meus pais moram de aluguel e nossa casa está sendo colocada à venda, vamos ter que sair”, relatou.

Em Roca Sales, quase toda a área urbana ficou embaixo d’água, e a prefeitura defende transferir todo o Centro da cidade, onde vivem cerca de 40% dos 10 mil habitantes do município, para um local mais alto.

O acesso à cidade, indo de Porto Alegre, ainda está difícil por causa do desabamento de uma ponte.

Reconstrução

Enquanto alguns querem migrar, outros moradores tentam reconstruir a cidade. A comerciante Raquel Lima, de 48 anos, está limpando a loja para reabri-la. Antes da enchente de setembro, o estabelecimento vendia bijuterias. Depois, virou uma loja de sorvete, açaí e lanches.

“Estava começando a me reerguer, estava melhorando. Daí veio de novo essa enchente. Vamos ver agora porque foi bastante gente embora da cidade. Eu não vou desistir. Eu espero que melhore. Eu estou com bastante esperança que vai dar certo, que nós vamos conseguir se reerguer”, afirmou.

Moradores locais elogiaram a economia da cidade, dizendo que tem vagas de emprego. O município é sede de indústrias como JBS, Beira Rio e Bom Retiro.

O presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Roca Sales, Cléber Fernando dos Santos, explicou que as indústrias de médio e grande porte conseguiram retomar as atividades, ainda que parcialmente, uns 25 dias após a enchente. Porém, as pequenas e micro indústrias, comércios e serviços ainda encontram dificuldades.

“Algumas até agora não conseguiram retomar porque muitos tomaram empréstimos ou usaram aquela economia que tinham guardado e investiram após a enchente de setembro. Eles imaginaram que nunca mais iria acontecer algo dessa magnitude”, afirmou.

Cléber disse que esses comerciantes precisam de recursos a fundo perdido porque não conseguem tomar crédito por estarem endividados. “A gente está tendo um êxodo muito grande aqui. Outros municípios que não foram atingidos, eles acabam conseguindo atrair o pessoal oferecendo casa e trabalho para o pessoal daqui”, explicou.

Prefeitura

A prefeitura de Roca Sales estima uma perda de receita de 40% neste ano por conta da enchente. O prefeito Amilton Fontana disse que a situação ainda está bem precária, em especial, o acesso às comunidades da zona rural do município, onde ficam os negócios agrícolas e pecuários, que representam cerca de 45% da economia local.

“A agricultura não conseguiu colher, granjas foram totalmente destruídas. A gente tem uma perda muito grande de produção”, declarou.

Outra dificuldade é para conseguir elaborar os projetos para solicitar recursos para a reconstrução. “Estamos recebendo recursos, mas a reconstrução precisa de projetos. Temos uma equipe mínima para fazer os projetos. Não temos estrutura para entregar tudo pronto em 50 dias”, acrescentou o prefeito. As informações são da Agência Brasil.

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