Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 25 de julho de 2015
O alto tucanato recebeu com um pé atrás o flerte de Lula e Dilma Rousseff com Fernando Henrique Cardoso. Há cinco meses, a dupla esnobou FHC. No final de fevereiro, o ex-presidente tucano sinalizou para Dilma seu interesse em conversar.
Fez isso por meio de um amigo em comum, o advogado e ex-deputado petista Sigmaringa Seixas. Em uma conversa testemunhada pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE), ex-ministro do seu governo, FHC queixou-se da tática do “nós contra eles”, adotada por Lula para estigmatizar a oposição.
Antevendo uma deterioração dos cenários político e econômico, mostrou-se aberto ao diálogo com a presidenta. Nos primeiros dias de março, Seixas transmitiu a Dilma o teor da conversa que tivera com FHC. Ela reagiu com indiferença. Embora os recados do tucano fossem endereçados apenas à mandatária, Sigmaringa relatou o encontro também para Lula. Que refugou a tentativa de aproximação. Com a economia em frangalhos, a lama da Petrobras a invadir-lhe a caixa de campanha e sitiada pelos aliados no Congresso, Dilma manifesta o desejo de estreitar a inimizade. Lula já não vê a aproximação como um despropósito. Agora é FHC quem torce o nariz.
Já havia estendido a mão para o petismo em outras oportunidades. Em uma delas, dirigiu-se ao próprio Lula. Sem intermediários. Encontraram-se a bordo do jato presidencial, a caminho da África do Sul.
No voo de volta, observado pelos ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor, FHC disse a Lula que era hora de unirem forças para reformar a política. Ainda latejavam na conjuntura os protestos que encheram as ruas na jornada de junho de 2013.
E FHC disse para Lula que, sem uma reação adequada, a crise tragaria todos os políticos, sem muita distinção partidária. (Josias de Souza/AE)
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