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Armando Burd Dinheiro ilimitado para sustentar a gastança

O placar eletrônico jurometro.com.br chegou ontem a 500 bilhões de reais, valor pago para rolar a dívida do governo federal. (Foto: Reprodução)

Às 11h de ontem, o placar eletrônico jurometro.com.br atingiu 500 bilhões de reais. Foi o valor pago pelos contribuintes de impostos para rolar a dívida do governo federal, a partir de 1º de janeiro deste ano. É pouco ou muito? Duas comparações levam à conclusão: 1ª) corresponde ao dobro da soma dos orçamentos dos Ministérios da Saúde e da Educação para 2019; 2ª) a 4 de dezembro de 2014, o Jurômetro estava em 250 bilhões de reais. Portanto, duplicou em cinco anos, comprovando que os empréstimos continuaram sendo feitos.

Competição desigual
Muitos alegam que os governos não precisam dar lucro. Porém, não podem gastar de forma exagerada, gerando prejuízos, a ponto de desviar para outro caminho o dinheiro que deveria sustentar serviços à população.

Passo necessário
A Lei de Responsabilidade Fiscal ontem completou 19 anos e sete meses. Surgiu para penalizar gestores públicos pelo mau uso do dinheiro. Foram encontradas brechas e virou peça sem efeito.

Impõe-se uma nova lei, bem mais rigorosa, que puna a condução irresponsável como crime contra quem paga impostos. Só o rigor de condenações pesadas incutiria o temor que nunca tiveram. Só falta pressão da opinião pública para empurrar parlamentares acomodados.

Perdeu a oportunidade
Boletins internos de bancos destacam avaliação do Ministério da Economia e que teve repercussão reduzida: os saques do FGTS se tornaram o principal fator para alta do Produto Interno Bruto no 3º trimestre.

O governo dispara em tantas frentes que não soube aproveitar a circunstância. Afinal, injeta 30 bilhões nas contas bancárias.

Daria resultados
Um grupo de deputados estaduais acredita na possibilidade de criação de um mecanismo que avalie o índice de retorno dos serviços públicos. Partem do princípio de que, além de legislar, a Assembleia deve fiscalizar e cada vez mais.

Jogo pesado
Em um teatro de Curitiba, protegido por 800 policiais, foi aprovada ontem, com 43 votos favoráveis e nove contrários, a reforma da Previdência dos servidores estaduais do Paraná. O plenário da Assembleia Legislativa está invadido desde terça-feira.

É a cultura do País
O presidente Jair Bolsonaro disse ontem que “dinheiro não define eleição”. Frase se aplica à campanha que o levou ao Planalto. A grande maioria dos candidatos precisa molhar a mão de comandantes de currais eleitorais.

Ignoram
Senado e Câmara dos Deputados, que gastaram tempo com discursos vazios e dispensáveis, deixaram passar o ano sem tratar da descentralização fiscal e da autonomia dos Estados.

Para não adiar o problema
Assessores do Ministério da Economia têm aconselhado a realização de encontro em janeiro com todos os governadores no Palácio do Planalto. Seriam postas todas as cartas na mesa e estabelecido plano para evitar que os estados sigam à deriva ou naufraguem em definitivo. O governo federal não vai abrir a mão, repassando dinheiro que depois se perderá na poeira dos gastos, incluindo os desnecessários.

Voando baixo
A Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou ontem o orçamento de 2020. A previsão do déficit é 336 milhões e 591 mil reais, mesmo contando com o aumento do IPTU.

FHC errou
A 5 de dezembro de 1994, faltando menos de um mês para assumir a Presidência da República, Fernando Henrique Cardoso lançou o documento Acordo de Brasília, afirmando que as mudanças no seu governo seriam lentas. O ano de 1994 terminou com inflação de 916,4 por cento. Em 1995, caiu para 22,4 por cento. Nunca se viu tanta rapidez.

Na gangorra
No Estado em crise financeira, os poderes são independentes, mas andam longe da harmonia, como preceitua a boa doutrina democrática.

Virou vício
É cada vez mais difícil gestores públicos apontarem soluções definitivas para os problemas financeiros e administrativos. Tudo se torna emergencial e passível de esquecimento no mês seguinte.

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