Quarta-feira, 03 de Junho de 2020

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Brasil Dirceu e o irmão viram réus por corrupção na Operação Lava-Jato. A filha dele, não

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O lobista também afirmou que usou a Jamp para pagar parte da compra da sede da empresa de Dirceu, a reforma de um apartamento em nome do irmão do ex-ministro e a reforma de outro imóvel (Foto: Dida Sampaio/AE)

O juiz federal Sérgio Moro aceitou nessa terça-feira denúncia contra José Dirceu e outras 14 pessoas, entre elas o irmão do ex-ministro Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, dentro da Operação Lava-Jato. A acusação foi apresentada pelo MPF (Ministério Público Federal) no início do mês.

Com a aceitação, todos os envolvidos passam a ser réus e começam a responder pelos delitos que são acusados. Dirceu responderá pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva qualificada e lavagem de dinheiro. Já seu irmão, foi acusado de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A denúncia tinha por alvo 17 pessoas, mas Moro não recebeu a acusação contra a filha de José Dirceu Camila Ramos e contra a arquiteta Daniela Leopoldo e Silva Facchini. Segundo o juiz, não existem provas de que ambas tinham ciência de que receberam recursos e benefícios provenientes de um esquema de corrupção.

Denúncia

Conforme o procurador da República Deltan Dallagnol, a denúncia envolve atos ilícitos no âmbito da diretoria de Serviços da Petrobras, e abarca 129 atos de corrupção ativa e 31 atos de corrupção passiva, de 2004 e 2011. O valor de corrupção envolvido nestes atos foi estimado em 60 milhões de reais, e cerca de 65 milhões de reais foram lavados.

Ainda de acordo com Dallagnol, dos mais de 60 milhões de reais em contratos da Engevix com a JD Consultoria e a Jamp para repasse de propina, 11,8 milhões de reais foram para o bolso de José Dirceu.

Atuação de Dirceu

Conforme a investigação da PF (Polícia Federal), o ex-ministro atuava no esquema em duas frentes. Uma delas consistia no relacionamento com executivos das empresas Hope e Personal, terceirizadas de serviços da Petrobras. Estas empresas não foram incluídas nesta denúncia, mas, segundo o MPF, a situação delas segue sendo analisada.

“Por terem sido ‘apresentadas’ à empresa por Fernando Moura e seu irmão Olavo Moura, ‘apadrinhadas’ por José Dirceu, o grupo passou a ‘titularizar’ uma parcela do faturamento dessas empresas, cujo pagamento era instrumentalizado por Milton Pascowitch”, disse trecho da conclusão do inquérito.

A outra frente de atuação, segundo a PF, estava relacionada a empreiteiras com contratos com a Petrobras, como a Engevix, OAS, UTC, Odebrecht, Galvão Engenharia e Camargo Corrêa.

No inquérito, o delegado apontou que as empresas “teriam carregado vantagens ilícitas, dissimuladas como ‘serviços de consultoria’ para José Dirceu, seja diretamente ou ainda por meio da Jamp Engenharia”.

Segundo os procuradores do MPF, Dirceu recebia essas quantias por ter indicado Renato Duque para a diretoria de Serviços da Petrobras. (AG)

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