Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 5 de maio de 2021
O depoimento do ex-ministro da Saúde Nelson Teich na CPI da Covid teve de ser interrompido, nesta quarta-feira (5), após uma discussão entre senadores aliados ao governo Bolsonaro e senadoras representantes da bancada feminina.
Mesmo sem direito a uma vaga entre os 11 membros titulares e os 7 suplentes da CPI da Covid, a bancada feminina do Senado tem participado das reuniões do colegiado criado para investigar as ações do governo federal na crise sanitária da covid-19 e o repasse de verbas a estados e municípios.
Sem vaga formal no colegiado, as senadoras têm se revezado para fazer perguntas durantes as audiências. Logo após questionamentos do relator, Renan Calheiros (PMDB-AL), e do vice-presidente, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), deu espaço para perguntas da senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), em nome das mulheres, mas senadores governistas se queixaram alegando que não há previsão para essa concessão no Regimento Interno do Senado.
Segundo Ciro Nogueira (PP-PI), não houve acordo para a participação da bancada feminina na CPI.
“Se foi um erro das lideranças não indicar as mulheres, a culpa não é nossa. (…) As pessoas ficam querendo dar uma outra versão, como se a gente estivesse perseguindo as mulheres”, disse Ciro.
Em resposta, a senadora Eliziane Gama disse não entender a resistência dos senadores. “Só não entendo por que tanto medo das vozes femininas”, apontou.
Líder da bancada feminina, Simone Tebet (MDB-MS) afirmou que na reunião anterior, de terça-feira (4), ficou acordado que as mulheres teriam direito de participar das reuniões. Segundo a senadora, “privilégio é algo diferente de prerrogativa”.
“O presidente Omar Aziz, quando deliberou ao final da reunião, fez uma concessão ainda maior, que teríamos o direito de ser as primeiras na lista. A questão de ordem já foi resolvida”, assinalou.
Mas Ciro discordou. Segundo ele, a questão não foi deliberada. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), afirmou que o Regimento da Casa “está sendo rasgado”. Marcos Rogério (DEM-RO), por sua vez, apontou que, na falta de acordo, prevalece o que está definido na norma. O senador afirmou ainda que as mulheres querem “dar peia” em Jair Bolsonaro.
“O que se busca aqui é engrossar o coro daqueles que querem dar peia no presidente Bolsonaro”, disse Marcos Rogério.
Omar Aziz chegou a suspender temporariamente a sessão, mas ela foi retomada com o direito de fala garantido a Eliziane. Tanto a bancada feminina quanto senadores governistas apresentaram pedidos para que fossem consultadas as notas taquigráficas da reunião de terça-feira.
Embora nenhuma mulher faça parte da CPI, qualquer senador pode participar das reuniões. Porém, a apresentação de requerimentos e as votações são restritas aos titulares. As informações são da Agência Senado.
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