Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 4 de novembro de 2022
Com mais um anúncio de pagamento expressivo de proventos, o montante distribuído pela Petrobras a seus acionistas em 2022 já soma R$ 179,96 bilhões, 77,5% superior ao pago em todo o exercício 2021.
No primeiro trimestre deste ano, o colegiado aprovou o pagamento de R$ 48,5 bilhões de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP). Em julho, a companhia confirmou o pagamento de outros R$ 87,8 bilhões dividendos, relativos ao resultado de abril a junho, recorde para um trimestre.
O conselho de administração aprovou na quinta-feira (3) o pagamento de outros R$ 43,68 bilhões, que serão distribuídos aos acionistas em dezembro e janeiro. Durante todo o exercício 2021, a companhia pagou R$ 101,39 bilhões em proventos.
O pagamento aos acionistas será feito em duas parcelas iguais, uma em 20 de dezembro de 2022, e outra em 19 de janeiro de 2023. Em cada uma dessas datas, será pago R$ 1,67445 por ação preferencial e ordinária.
No comunicado, a Petrobras afirma que o dividendo proposto “está alinhado à Política de Remuneração aos Acionistas, que prevê que, em caso de endividamento bruto inferior a US$ 65 bilhões, a Companhia poderá distribuir aos seus acionistas 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e as aquisições de ativos imobilizados e intangíveis (investimentos)”.
“Além disso, a Política também prevê a possibilidade de pagamento de dividendos extraordinários, desde que sua sustentabilidade financeira seja preservada”, acrescenta o texto. “A aprovação do dividendo proposto é compatível com a sustentabilidade financeira da companhia no curto, médio e longo prazo e está alinhada ao compromisso de geração de valor para a sociedade e para os acionistas, assim como às melhores práticas da indústria mundial de petróleo e gás natural”.
Críticas
A nova distribuição de dividendos da Petrobras gerou críticas e deve ser questionada na Justiça pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) e pela Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobras (Anapetro).
De acordo com as entidades, o total de dividendos distribuídos no ano chegará a quase R$ 180 bilhões, enquanto os investimentos realizados pela estatal em 2022, até junho, somam apenas R$ 17 bilhões, conforme relatórios financeiros da empresa.
“A FUP e a Anapetro questionarão judicialmente eventual aprovação de novos dividendos e processarão cada conselheiro por tal medida”, afirma o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, em comunicado conjunto das entidades.
O diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores da Petrobras, Rodrigo Araujo, disse nesta sexta-feira (4) que a empresa atuou completamente dentro do que prevê a política de remuneração aos acionistas e que a política estabelece o pagamento de dividendos a cada 3 meses.
Segundo ele, a Petrobras não teve acesso à representação do Ministério Público Federal (MPF) junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), que pede a suspensão imediata da distribuição de dividendos antecipada pela empresa. Mas adiantou que, “como sempre faz”, a companhia está à disposição do TCU para prestar todas as informações.
O diretor financeiro lembrou também que o pagamento de dividendos trimestrais não é uma prática exclusiva da Petrobras, mas de todas as grandes companhias do setor de óleo e gás com políticas de dividendos semelhantes. E disse que essa prática não compromete a solidez da empresa. As informações são do jornal Valor Econômico e da Agência Brasil.
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