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Colunistas Divulgação do relatório Boom and Bust 2026 e a relevância do Instituto Arayara

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(Foto: Divulgação Instituto Arayara)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

A divulgação do relatório Boom and Bust 2026, do Global Energy Monitor, expõe de forma contundente a contradição brasileira diante da crise climática. O país alcançou o status de “Nenhuma Nova Usina a Carvão” em 2025, encerrando oficialmente todos os projetos de novas termelétricas a carvão mineral, mas ao mesmo tempo prorrogou contratos de usinas antigas até 2040 e discute estender essa dependência até 2050. Essa escolha revela um Brasil que, em vez de liderar a transição energética, insiste em manter vivo um modelo ultrapassado, caro e poluente.

Estive na COP30, realizada em nosso país, e participei de um movimento que se somou ao manifesto do Instituto Internacional ARAYARA, que denunciava a incoerência das políticas pró-carvão e os impactos devastadores dessa indústria. O manifesto foi claro: o Brasil está construindo um mapa do caminho rumo ao abismo climático. E não é exagero. Subsídios bilionários, como os destinados ao Complexo Jorge Lacerda e à Usina Candiota III, comprometem recursos públicos que poderiam financiar uma transição energética justa e sustentável.

O relatório mostra que, com a aprovação da Lei nº 15.269, o país garantiu contratos de carvão até 2040, incluindo o chamado “eletrolão” de 2026, que contratou 1,4 GW de carvão importado. Essa prática escancara como o setor elétrico brasileiro está contaminado por interesses corporativos e grandes grupos econômicos que moldam políticas públicas em benefício próprio. É por isso que se torna urgente discutir CPIs para investigar o setor elétrico e expor os mecanismos de captura regulatória que mantêm o carvão vivo às custas da população.

Os impactos sociais e ambientais são inaceitáveis. Estudos do Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA), em parceria com a ARAYARA, apontam que o complexo de Candiota pode causar até 1.300 mortes e custos de saúde de R$ 11,7 bilhões até 2040. Além disso, quase 10% do território de Santa Catarina já está contaminado pela mineração de carvão, especialmente pela drenagem ácida de minas, o maior passivo ambiental desse tipo na América Latina. Esses números não são apenas estatísticas: representam vidas, comunidades e territórios sacrificados em nome de uma energia cara e poluente.

Como desenvolvedor de negócios sustentáveis, vejo nesse relatório não apenas um diagnóstico, mas um chamado à ação. O Brasil tem abundância de recursos renováveis — solar, eólica, biomassa — que poderiam garantir energia limpa, acessível e competitiva. Persistir no carvão é desperdiçar oportunidades de inovação, empregos verdes e liderança internacional. É insistir em um modelo que já não se sustenta nem econômica nem moralmente.

A COP30 foi um momento simbólico: o Brasil se apresentou como anfitrião de uma conferência global sobre clima, mas no dia seguinte aprovou uma lei que prolonga a dependência do carvão. Essa incoerência mina nossa credibilidade internacional e envia ao mundo a mensagem de que estamos mais comprometidos com os interesses de grandes corporações do que com a saúde da população e o futuro do planeta.

O relatório Boom and Bust 2026 deixa claro que o Brasil está na contramão da história. Enquanto países como a Coreia do Sul anunciam a eliminação gradual do carvão até 2040 e a América Latina já não possui novos projetos no pipeline, seguimos insistindo em manter usinas envelhecidas. Essa escolha não é técnica, é política. E como tal, precisa ser enfrentada com transparência, investigação e pressão social.

Participei da COP30 e do manifesto contra o carvão porque acredito que o futuro energético do Brasil não pode ser sequestrado por interesses corporativos. Precisamos de coragem para romper com o passado e investir em um futuro sustentável. O carvão não é apenas uma energia cara e poluente — é um símbolo de atraso que ameaça nossa saúde, nosso meio ambiente e nossa credibilidade internacional.

O relatório do GEM e a atuação do Instituto ARAYARA reforçam a urgência de uma transição energética justa. O Brasil tem a chance de ser protagonista, mas para isso precisa abandonar de vez o carvão e enfrentar os interesses que contaminam o setor elétrico. O caminho está diante de nós: ou escolhemos liderar a transição sustentável, ou nos tornamos cúmplices da crise climática.

Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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