Quinta-feira, 23 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 22 de abril de 2026
O excesso de glicose no sangue ao longo do tempo danifica os vasos sanguíneos.
Foto: FreepikAs doenças cardiovasculares — como o acidente vascular cerebral (AVC) e a doença isquêmica do coração, que pode levar ao infarto — respondem por quase um terço das mortes no mundo e seguem como a principal causa de óbito global. No Brasil, são cerca de 400 mil mortes por ano, o equivalente a um caso a cada 90 segundos, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia. Apesar da dimensão do problema, fatores de risco ainda são negligenciados, muitas vezes por desconhecimento ou subdiagnóstico, como distúrbios do sono, diabetes e doença renal crônica.
O perfil dos pacientes também vem mudando. Casos têm sido cada vez mais frequentes entre pessoas jovens, na faixa dos 20 e 30 anos, geralmente associadas ao sedentarismo e ao estresse. Ainda assim, entidades médicas destacam que a maior parte desses eventos pode ser evitada: cerca de 80% dos infartos e AVCs são preveníveis, conforme a Associação Americana do Coração (AHA).
Estudos indicam que muitos desconhecem a relação entre saúde cardiovascular, função renal e metabolismo. Essas condições estão interligadas e compartilham fatores de risco como hipertensão, colesterol elevado, hiperglicemia, excesso de peso e perda da função renal. O conjunto é definido como síndrome cardiovascular-renal-metabólica (CKM), associada a maior risco de incapacidade e morte.
No caso do diabetes, o excesso de glicose no sangue ao longo do tempo danifica os vasos sanguíneos, favorecendo inflamação e acúmulo de gordura nas artérias, processo conhecido como aterosclerose. A resistência à insulina, comum no diabetes tipo 2, também está ligada a alterações no colesterol e ao aumento da pressão arterial, elevando o risco de infarto, AVC e problemas circulatórios.
Já a doença renal crônica, que atinge cerca de 10% da população, evolui de forma lenta e tem como principais causas o diabetes e a hipertensão. Mesmo isoladamente, porém, já representa um fator de risco cardiovascular. A relação entre coração e rins é direta: o coração garante o fluxo sanguíneo necessário para a filtragem renal, enquanto rins comprometidos contribuem para retenção de líquidos e aumento da pressão arterial, sobrecarregando o sistema circulatório.
Distúrbios do sono também entram na lista de fatores associados. Apneia, insônia crônica e padrões inadequados de sono — menos de seis ou mais de nove horas por noite — mantêm o organismo em estado de alerta e favorecem inflamação, desregulação metabólica e alterações vasculares, criando condições propícias para eventos cardiovasculares.
Além disso, transtornos mentais como ansiedade e depressão têm impacto relevante. O estresse contínuo ativa mecanismos cerebrais ligados ao medo e à tensão, o que, ao longo do tempo, pode comprometer o funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos.
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