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Mundo Donald Trump diz que vai continuar enviando hidroxicloroquina ao Brasil mesmo após os Estados Unidos vetarem o uso emergencial do medicamento

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"Eu não posso reclamar, eu tomei por duas semanas e ainda estou aqui", afirmou Trump sobre o medicamento. (Foto: Leah Millis/Reuters)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (15) que continuará enviando hidroxicloroquina ao Brasil mesmo após a principal autoridade de vigilância sanitária norte-americana revogar a autorização emergencial para o uso do medicamento contra a Covid-19.

No fim de maio, os EUA anunciaram o envio de 2 milhões de doses de hidroxicloroquina ao Brasil — mesmo contra a recomendação de entidades médicas como a Organização Mundial de Saúde (OMS), que alertam que não há comprovação científica sobre a eficácia do medicamento no combate ao novo coronavírus.

Perguntado se os EUA continuariam a enviar o remédio ao Brasil e outros países, Trump respondeu que “sim”. “Eu não posso reclamar, eu tomei por duas semanas e ainda estou aqui”, afirmou.

Na entrevista, ele disse que “não sabia” sobre o relatório da Food and Drugs Administration (FDA) que retirou a autorização do uso emergencial do medicamento. “Muita gente me diz que isso poderia salvar vidas”, afirmou Trump.

Fim do uso emergencial 

A FDA, agência que atua como a Anvisa nos Estados Unidos, revogou a permissão de emergência para o tratamento com a hidroxicloroquina contra a Covid-19. O órgão americano disse em documento que “não é mais razoável acreditar que as formulações orais de hidroxicloroquina e de cloroquina podem ser eficazes”.

“Nem é razoável acreditar que os fatores conhecidos e os potenciais benefícios desses produtos superem seus riscos conhecidos e potenciais. Por conseguinte, a FDA revoga o uso emergencial de hidroxicloroquina e cloroquina nos EUA para tratar Covid-19”, disse o documento.

A agência explica que tomou a decisão com base em novas informações e em uma reavaliação dos dados disponíveis no momento da liberação de emergência para pacientes com Covid-19 no país, publicada em 28 de março.

Na data da liberação, a FDA permitiu o tratamento apenas para pacientes com casos graves da Covid-19 e internados em hospitais. O medicamento deveria ser administrado por um profissional de saúde com uma receita médica.

Estudo controlado

Um estudo feito com 821 pacientes dos Estados Unidos e Canadá não encontrou prova de eficácia do uso da hidroxicloroquina na prevenção da Covid-19. A pesquisa foi publicada em 3 de junho, na revista científica “The New England Journal of Medicine”.

A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos EUA, e mais cinco instituições canadenses. O grupo observou também a incidência de efeitos colaterais nos pacientes que consumiram hidroxicloroquina, mas não houve relato de reações mais graves.

“A mensagem para levar para o público em geral é que, se você é exposto a alguém com Covid-19, a hidroxicloroquina não é uma terapia preventiva ou de pós-exposição eficaz”, disse David Boulware, um dos autores da pesquisa.

A incidência de novos casos de infecção por coronavírus nos participantes não apresentou muita diferença entre os pacientes que receberam a hidroxicloroquina, os que receberam placebos e os que não receberam nada.

Este foi o primeiro ensaio clínico controlado feito com o medicamento anti-malárico. A publicação diz que ao menos 87,6% dos voluntários relataram uma exposição de alto risco a um paciente portador do vírus Sars-Cov-2.

Em 4 de junho, a revista científica “The Lancet” publicou uma nota de retratação dos autores de um estudo com cloroquina e hidroxicloroquina para Covid-19 publicado por ela própria no dia 22 de maio. Os cientistas afirmaram não poder mais garantir a veracidade dos dados usados para fundamentar a pesquisa, que havia constatado risco no uso das substâncias contra o novo coronavírus.

A pesquisa, que analisou dados médicos de 96 mil pessoas, motivou a OMS a suspender os testes com hidroxicloroquina nos ensaios clínicos Solidariedade, iniciativa internacional coordenada pela organização. No dia 3, depois da publicação de uma “manifestação de preocupação” sobre o estudo pela ”The Lancet”, a entidade decidiu retomar os testes com a substância.

A retratação do estudo é o passo seguinte à manifestação de preocupação, que faz com que ele não possa ser citado, no futuro, em outras pesquisas científicas.

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