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Mundo Donald Trump pressionou o Departamento de Justiça a alegar fraude na eleição americana

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Mesmo sem provas, Magnata republicano queria reverter derrota para Joe Biden. (Foto: Tia Dufour/Casa Branca)

Em seus últimos meses como presidente dos Estados Unidos, o magnata Donald Trump pressionou o Departamento de Justiça norte-americano a declarar que a eleição da qual saiu derrotado havia sido fraudada, embora não houvessem casos comprovados de irregularidades generalizadas. A informação foi revelada nesta sexta-feira (30) pelo jornal “The New York Times”.

A intenção do candidato republicano era usar a afirmação para, junto aos seus aliados no Congresso Nacional, tentar reverter o resultado que deu a vitória ao democrata Joe Biden. O jornal diz ter publicado a informação com base em documentos fornecidos a parlamentares e obtidos pela repórter Katie Benner.

O Departamento de Justiça entregou documentos ao Comitê de Supervisão e Reforma da Câmara, que está investigando os esforços do governo Trump para reverter ilegalmente o resultado da eleição.

Durante um telefonema em 27 de dezembro de 2020, Trump teria pressionado o então procurador-geral interino, Jeffrey Rosen, e seu vice Richard Donoghue, sobre as alegações de fraude eleitoral que o departamento havia refutado.

Nos Estados Unidos, o procurador-geral tem atribuições equivalentes a dos cargos de ministro da Justiça e de procurador-geral da República no Brasil.

Ainda de acordo com o jornal, Donoghue advertiu que o Departamento de Justiça não tinha poder para alterar o resultado da eleição. Trump respondeu que não esperava isso, de acordo com notas que o vice-procurador-geral fez para lembrar a conversa, mas afirmou:

“Basta dizer que a eleição foi corrupta e deixar o resto para mim e para os congressistas do R”, escreveu o vice-procurador-geral ao resumir a resposta de Trump. R seria uma abreviação de Partido Republicano.

Sem evidências

Semanas antes, o então procurador-geral americano, William Barr, havia dito que o Departamento de Justiça não tinha encontrado qualquer evidência de fraude no pleito presidencial.

Barr afirmou que “investigações feitas por procuradores federais e agentes do FBI não encontraram evidências de fraude eleitoral generalizada que pudessem mudar o resultado da eleição”.

Barr renunciou dias após a declaração e antes do telefonema de Trump. Ele deixou em seu lugar Jeffrey Rosen, que ocupou o cargo interinamente até o fim do governo, em 20 de janeiro deste ano — inclusive durante a invasão de apoiadores de Trump ao Capitólio.

Deslegitimar o pleito

“As demandas foram um exemplo extraordinário de um presidente interferindo em uma agência que normalmente é mais independente da Casa Branca”, escreve a reportagem. “São o exemplo mais recente da ampla campanha de Trump, durante suas últimas semanas no cargo, para deslegitimar a eleição”.

O então presidente americano se recusou a reconhecer a derrota na eleição e afirmou que Biden “ganhou porque a eleição foi fraudada”. Trump alegava “eleições corrompidas” e tentou sem sucesso reverter sua derrota em vários estados, como Arizona, Geórgia, Michigan, Nevada e Pensilvânia.

Em sua investigação sobre as eleições, o Departamento de Justiça americano descobriu que a taxa de erro na contagem dos votos em Michigan era de 0,0063%, não os 68% que Trump alegava. Além disso, não havia evidências de que era verdadeira uma teoria da conspiração de que um funcionário na Pensilvânia havia adulterado as cédulas.

Após examinar um vídeo e entrevistar testemunhas, o departamento não encontrou evidências de fraude eleitoral no condado de Fulton, na Geórgia.

“Essas notas manuscritas mostram que o presidente Trump instruiu diretamente a principal agência de aplicação da lei de nosso país a tomar medidas para derrubar uma eleição livre e justa nos últimos dias de sua presidência”, afirmou Carolyn Maloney, deputada democrata de Nova York que preside o Comitê de Supervisão e Reforma da Câmara.

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