Sexta-feira, 03 de Julho de 2020

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Brasil Drauzio Varella disse que “o Brasil está preparado para o coronavírus”

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"Egoísmo nesta hora, não vai dar certo." (Foto: Reprodução/YouTube)

Drauzio Varella afirma que “a informação é crucial” no enfrentamento de epidemias como o coronavírus. Segundo ele, o Brasil – e o SUS, em particular – “está preparado” para atender à demanda atual. E o uso de máscaras? “Só para quem está com sintomas gripais ou gripado mesmo”, explica o médico, nesta entrevista a Sonia Racy e Cecília Ramos, do Estadão.

Ele assegura, ainda, que “a repercussão do caso está em dissintonia com a realidade dos dados até agora divulgados”. Segundo Varella, se uma pessoa estiver tossindo ou febril, não precisa correr para um hospital. “Este tipo de atitude só sobrecarrega o sistema”, adverte, lembrando, com um toque de ironia, que “pronto-socorro é o melhor lugar pra pegar o coronavírus”. Esse vírus, na sua opinião, se destaca por dois fatores: é de rápida disseminação e de baixa mortalidade.

Com a tranquilidade de quem conquistou posto de “figura unânime”, o oncologista fala com clareza sobre muitos temas, demonstrando sua habilidade também de comunicação. “Os amigos dizem que levo jeito. Mas é treino!”, afirma. Com mais de 2 milhões de inscritos no seu canal no YouTube, ele prepara, no momento, séries sobre ansiedade e homossexualidade. Também deve gravar este ano no Sudão. A seguir, os principais trechos da entrevista.

1) Acha que o Brasil está mesmo preparado para combater o coronavírus?

Está. Acho que o mundo, de um modo geral, está mais preparado. E o SUS tem condições de atender. Só vai depender da quantidade de casos. Agora, a repercussão do coronavírus está em dissintonia com a realidade dos dados. Não há essa calamidade. Todo mundo que espirra vai para o pronto-socorro. Aliás, se você estiver tossindo e correr para o pronto socorro, lá é o melhor lugar pra pegar coronavírus.

2) O que se sabe de mais novo para enfrentar isso?

Estão tentando desenvolver antivirais que possam reduzir a patogenicidade do vírus. A taxa de mortalidade não é alta. Dados da China mostram que não há mortes de crianças de 10 anos pra baixo. Acima dos 80, o índice de morte é 4,8%. É parecido com índice de infecções respiratórias. E 90% das pessoas que venham a pegar esse vírus, transformarão isso num resfriado comum.

3) De que forma deveremos nos prevenir?

Olha, se você convencesse a população a usar máscara na rua já melhorava bem. Para essas coisas é preciso educar a população. Você vê esse nível de civilização no Japão.

4) Em que situações no Brasil deveríamos usar máscara?

Quando você enfrenta aglomerações. No metrô, por exemplo. Mas por enquanto, no Brasil, acho que não há indicação pra usar máscara – é só para quem está com sintomas gripais ou gripado mesmo. Não é o caso de recomendar máscara pra todo mundo. O Ministério da Saúde tem feito um bom trabalho, informando e tomando as providências necessárias.

5) O sr. costuma dizer que nos últimos 10 anos tivemos 13 ministros da Saúde que ficam, em média, 10 meses no cargo. O atual, Luiz Henrique Mandetta, completou um ano. Qual sua avaliação?

O que é um recorde, né? Acho que, nesse primeiro ano, foi bem. Estive uma vez com ele. Não vejo uma área lá que tenha sido destruída ou desorganizada. Ele teve o bom senso de manter pessoas competentes nos postos chaves. Na Saúde não houve erros graves como na Educação.

6) Como defensor do SUS, que avaliação faz desse sistema?

O SUS tem tudo de que precisa. Podia avançar mais depressa e podia se organizar melhor, mas ele é uma iniciativa gigantesca que ninguém tem, à qual os brasileiros não dão valor. Mas o dinheiro é insuficiente. O SUS está fazendo 32 anos. Tem o maior programa de vacinação do mundo, gratuito. E aqui o transplante também é de graça. Não vale nada isso?

7) O programa Bolsa-Família é mais reconhecido.

Bem mais. Mas comparado ao SUS é uma pequena ajuda, quase uma esmola. O SUS é o maior programa de distribuição de renda. Responde por 90% das pessoas operadas no País.

8) E a imagem que guardam dele é de fila nos hospitais…

Pegue um pronto-socorro lotado. Ponha um médico na porta e pode apostar que 90% das pessoas voltarão para casa. Porque são pessoas com problemas simples que podem ser resolvidos na atenção primária. Na Inglaterra, nem na medicina privada você consulta um especialista sem passar por clínico geral.

9) Por que não se faz isso aqui?

Nós temos a estratégia de saúde da família. É um dos melhores programas de saúde pública do mundo. O José Serra, que foi o nosso melhor ministro da Saúde, aumentou o número de equipes. Deu certo e é barato. Por isso eu digo: com essa atenção primária, dá pra resolver aqueles 90% dos casos da chamada “fila do SUS”. Mas no Brasil não temos uma política de saúde pública.

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