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Lenio Streck E a pandemia me venceu! Meu silêncio como resposta!

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(Foto: Reprodução)

Há anos que ando por aqui no O SUL, hebdomadariamente. Escrevendo sobre o cotidiano. São crônicas. Esta é a última.

Nesses anos, fiz como Clarice, perguntando aos meus leitores: é possível entender o que é entender?

Ela dizia: o entender é tão vasto que ultrapassa qualquer… entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completo quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doido. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

Também sempre me inspirei em Manoel de Barros, poeta quem mais desestabiliza o meu entender:

“Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar. Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão tipo- água pedra sapo. Entendo bem o sotaque das águas. Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes. Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis. Tenho em mim esse atraso de nascença. Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz por isso. Meu quintal é maior que o mundo. Porque eu não sou da informática: eu sou da invencionática.

Só uso a palavra para compor meus silêncios…”

Do Pantanal para Totnau, pertinho de Freiburg, busco Heidegger, na Floresta Negra. Ele dizia: A linguagem é a casa do ser; nessa casa mora o homem; os poetas e os pensadores são os vigilantes (os curadores) dessa casa.

Eu não possuo a linguagem. É ela que me tem. Tudo o que sei é garças às palavras que sei. E tudo o que não sei é em face das palavras que ainda não sei.

Em tempos de niilismo e muitas narrativas e poucos fatos, leio Hilde Donim: palavras e coisas jaziam juntas. E depois se separaram.

E eu acrescento: e palavras e coisas estão separadas até hoje. E se tornaram inimigas. Por isso é que o mundo foi transformado em meras narrativas.

Eis a praga do niilismo. E do relativismo. Eis por que existem tantas fake news. Platão foi o primeiro a denunciar esse flagelo das falsidades. Das ilusões. As sombras são sombras, berrava Platão. Mas quem diz que as sombras são sombras é apedrejado.
Até hoje é assim. E vai piorar!

A pandemia ajuda a piorar tudo. Causa sofrimento. Já são quase 500 mil mortos. A melancolia causada pela pandemia é perversa.

É um escândalo. E fingimos que não é um escândalo para que possamos continuar. Dez pessoas mortas é tragédia. 500 mil é estatística. Virou abstração. É possível entender o que é isso tudo?

É possível aceitar que o escândalo não escandalize, que a ofensa não ofenda? Não temos, mesmo, nenhum constrangimento?

É claro: o colunista ofende mais do que a irresponsabilidade de quem deve conduzir o país na maior crise do século. Apedrejem o colunista. Como assim “o rei está nu”? Não vês aquelas belas vestes?

Não. Nem todos aqueles que já morreram, que não veem nada mais.

Até em homenagem às vítimas, o silêncio pode ser retumbante. Não podemos dizer seus nomes todos. Seríamos capazes? Se fizéssemos um minuto de silêncio por cada vítima, ficaríamos anos em silêncio.

Logo, por que não iniciar agora?

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Denise Goulart de Munhós
5 de junho de 2021 20:57

Desde o início da “pantomima”, em março de 2020, a morte é utilizada como instrumento para gerar o pânico e difundir e implantar uma ideia política em âmbito mundial. O corona vírus existe, sim, mas não é somente ele o responsável pelas ditas 500 mil vidas ceifadas. Com o silêncio do colunista haverá menos uma “carpideira” !

Marcelo Neuri Haag
6 de junho de 2021 00:32

Mas foi justamente o senhor que começou a “slenciar” as opiniões contrárias, primeiro não respondendo (por que sempre essa arrogância?), e depois bloqueando os perfis que discordavam de suas opiniões… portanto “quem semeia vantos colhe tempestades”… aprenda com isso e passar bem!

Ck Ps
6 de junho de 2021 03:02

fala triste amigo. vc odeia quem pensa em um mundo melhor

Hidem Hidem
6 de junho de 2021 00:31

Pra min nunca existiu …. as já vai tarde…. seja lá pra onde vc for …
Certamente NÃO fará falta alguma….. Ostracismo é bom para moluscos….!!!

Anna Marcia Mixo
6 de junho de 2021 04:31

Por que não iniciar o silêncio agora? Simplesmente porque agora é hora de gritar! Gritar tanto e tão alto que depois conseguiremos ouvir o silêncio. Força professor!

Salus Miranda
6 de junho de 2021 13:26

Os adoradores do caus sempre de plantão para criticar quem escreve coluinas nos jornais. Esquecem que tiram “seus alimentos” justamente dessas colunas. Estacoluna vai fazer muita falta aos leitores de O Sul.

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