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Carlos Roberto Schwartsmann “É coisa simples, não é, doutor?”

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Cirurgia ou procedimento cirúrgico é o ato médico que envolve incisão, ressecção e sutura tecidual. É praticado desde a pré-história. Há comprovações de operações que ocorreram séculos antes de Cristo no Egito, na Mesopotâmia e na Índia.

Fatos marcantes ocorreram na história da cirurgia.

Ambroise Parè (1510-1590) foi um dos principais responsáveis pela mudança de nome de “barbeiro” ou “açougueiro’’ para “cirurgião” quando aprofundou os estudos da anatomia e fez ligadura de vasos sanguíneos.

Thomas Morton em 1846 introduziu a anestesia com éter. Louis Pasteur descobriu os micróbios em 1860. Joseph Lister a antissepsia em 1865 e Alexander Fleming a penicilina em 1928.

Para se realizar uma cirurgia sem dor é necessária uma anestesia. Ela pode ser local, regional ou geral. Hoje o risco é mínimo, mas sempre existirão fatores imprevisíveis: Reação alérgica a medicamentos, choque anafilático, agudização de comorbidades já existentes. Pode haver parada cardiorrespiratória e até morte!

A agressão cirúrgica gera um insulto tecidual que pode originar uma reação biológica atípica, surpreendente e indesejável.

As cirurgias são classificadas segundo o porte cirúrgico. Nas de porte 4, que duram mais de 6 horas, apresentam uma probabilidade de grande perda de sangue e fluidos com grandes alterações no metabolismo do paciente.

Obviamente, as comorbidades e o estado de higidez pré-operatório influenciam no risco cirúrgico. Teoricamente os mais idosos, os obesos, os diabéticos e os anticoagulados estão mais sujeitos a eventos adversos.

Poderiam ser aqui citados centenas de casos de cirurgias que evoluíram para a morte. Clara Nunes, excepcional cantora e sambista, faleceu devido a reação alérgica a medicação anestésica quando operava varizes.

A ex-miss Gleycy Correia, 27 anos, morreu no ano passado após complicações em cirurgia de ressecção das amígdalas.

O cirurgião experiente sabe que as respostas a 4 perguntas são decisivas na indicação da intervenção cirúrgica: É realmente necessário este procedimento? É a única alternativa? Foram bem pesados os riscos e benefícios? Quais são as chances de pleno sucesso da cirurgia?

O Brasil lidera o ranking mundial de cirurgias plásticas.

Di Santis em tese de doutorado na Escola Paulista de Medicina concluiu, analisando 102 casos de lipoaspiração, que o risco de morte é de 19/100.000.

98% dos pacientes eram mulheres. Nos casos de cirurgia bariátrica a incidência de morte nos homens é maior: 60/100.000.

A morte no tratamento cirúrgico é uma fatalidade que macula indelevelmente a mente do cirurgião e a da família. Como explicar o inexplicável! O que era certo se tornou errado! A vitória se tornou em derrota! A vida se transformou em morte!

Caro paciente, não existe “nada simples” quando se vai enfrentar uma cirurgia.

 

(Carlos Roberto Schwartsmann – Médico e Professor universitário)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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Anisca Loskr
16 de agosto de 2023 16:53

Mas os cirurgiões se julgam onipotentes e fazem promessas de cura resultados fantasiosos com viés mercenário infelizmente!

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