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Economia Em reviravolta, Lula convida o presidente do Banco Central para festa de fim de ano

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Movimento pode ser observado a partir de 2020, segundo ele. (Foto: Pedro França/Agência Senado)

Em reviravolta na relação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou para uma confraternização de fim de ano o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto.

A confraternização, marcada para a noite dessa, reuniu ministros do governo, assessores próximos de Lula, líderes do governo e amigos do presidente.

Nos primeiros meses do ano, Campos Neto era alvo de críticas do presidente, em razão das decisões do Conselho Político Monetário (Copom) que, à época, não reduzia as taxas de juros. O Copom é formado por diretores do BC.

Nos piores momentos da relação institucional, Campos Neto chegou a se queixar com pessoas próximas de que não conseguia nem mesmo ser recebido por ministros do Palácio do Planalto.

A situação agora é diferente. Nessa quinta, ele levou a diretoria do BC para um encontro com o vice-presidente, Geraldo Alckmin.

No início de 2023, um interlocutor do presidente afirmou que Lula jamais receberia Campos Neto. De lá para cá, os dois já tiveram pelo menos dois encontros.

Campos Neto relatou, em entrevista coletiva pela manhã, que tem conversado com frequência com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. De quarta para quinta, além de terem se visto pessoalmente, se falaram algumas vezes por telefone.

Na mesma entrevista, o presidente do BC elogiou medidas importantes na economia que o governo conseguiu aprovar no Congresso e louvou também o esforço da equipe econômica em buscar a meta fiscal de déficit zero em 2024.

Aproximação

Campos Neto não só tem buscado uma aproximação com o governo porque quer parar de ser atacado pela esquerda. Ele também pretende participar da escolha de diretores do BC e até mesmo influenciar a sua sucessão. O mandato dele acaba em dezembro de 2024.

O Copom é formado por 8 diretores e o presidente do Banco Central. Desses 8 diretores, 4 foram indicados por Lula ao longo deste ano.

Corte

Campos Neto avaliou que o ritmo de queda na taxa de juros, de 0,5 ponto porcentual a cada reunião do Copom, deve ser mantido nos dois primeiros encontros do ano que vem. A terceira reunião ocorre em maio, quando a previsão já ficaria mais nebulosa.

A taxa básica de juros hoje, a Selic, está em 11,75%, depois de quatro quedas consecutivas. Em novembro, o valor era de 12,25%. Se a queda permanecer, o índice pode chegar a 10,75% em março.

Campos Neto destacou que a previsão se baseia nas variáveis atuais do cenário econômico: queda de preços, diminuição na taxa de juros de longo prazo no exterior, principalmente nos Estados Unidos e avanço nas medidas de equilíbrio fiscal do governo brasileiro.

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