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Brasil Em troca de apoio na votação da reforma da Previdência, o governo poderá devolver cargos para deputados punidos por votarem contra o governo na Câmara

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"Trabalhando de forma conjunta com todos partidos que defendem a votação, temos chance, sim, de chegar a 308 [votos]", disse Maia. (Foto: Agência Brasil)

Em troca de apoio para tentar aprovar a reforma da Previdência nas próximas semanas, o Palácio do Planalto estuda devolver cargos aos deputados que foram punidos por votar contra o governo nos últimos meses.

Auxiliares do presidente Michel Temer e líderes da base aliada vão mapear nos próximos dias os parlamentares que tiveram aliados demitidos da máquina federal depois que votaram contra a reforma trabalhista ou pelo prosseguimento das denúncias apresentadas contra o presidente pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

O governo quer renegociar os postos e oferecer esses espaços de volta aos deputados que se comprometerem a votar a favor da reforma da Previdência.

O Planalto decidiu estudar essa estratégia depois que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse a Temer que as punições haviam deixado insatisfeitos os parlamentares que poderiam apoiar as novas regras de aposentadoria propostas pelo governo.

Em jantar no Palácio da Alvorada na quarta-feira, Maia sugeriu que o governo reavaliasse as demissões feitas nos últimos meses para captar os votos necessários para aprovar o texto.

Na avaliação do governo e de líderes da base aliada, a conquista de votos a partir de agora deve se concentrar principalmente na liberação de verbas e da distribuição de cargos em troca de apoio para a proposta.

O Planalto está disposto a reforçar essas negociações e acredita que, assim, pode convencer cerca de 30 deputados que atualmente se dizem indecisos ou contrários à reforma da Previdência.

Dificuldades

Sem apoio suficiente, o governo reconhece que a votação do texto na Câmara não deverá ocorrer na próxima semana, como o Planalto planejava inicialmente.

Nos bastidores, a equipe de Temer admite que a proposta pode ser votada apenas na última semana de trabalho do Congresso, dias antes do início do recesso parlamentar.

Com o provável adiamento da votação, porém, aumentam as chances de a votação ficar para 2018, uma vez que muitos deputados devem antecipar o retorno aos seus redutos eleitorais nas próximas semanas.

As chamadas férias parlamentares terão início no dia 23, um sábado, mas a partir da quinta-feira anterior o Congresso já costuma ficar esvaziado.

Nessa quinta-feira, o presidente da Câmara disse que se deve trabalhar com “todas as datas possíveis”. “Nós vamos trabalhar para votar neste ano. Nós temos que construir deputado a deputado, deputada a deputada, as condições para se votar a reforma da Previdência”, disse Maia.

Cofres

Temer vai intensificar também a abertura dos cofres do governo, liberando emendas parlamentares e aumentando a destinação de recursos para os Estados.

Na quarta-feira, o Planalto garantiu que vai agilizar o repasse de R$ 1,9 bilhões aos governo locais, por meio do FEX, um fundo de auxílio às exportações.

Em reunião com os governadores de Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) afirmou que o governo já tem o dinheiro em caixa e só precisa da autorização do Senado para repassá-lo.

 

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