Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 27 de junho de 2015
As construtoras brasileiras envolvidas na Operação Lava-Jato podem enfrentar restrições em suas operações nos Estados Unidos, afirma Jennifer Rodgers, diretora do Centro para o Avanço da Integridade Pública da Universidade Columbia, em Nova York (EUA).
De acordo com ela, as companhias – em especial a Odebrecht, que tem forte atuação no país – podem ter de prestar esclarecimentos ou oferecer garantias ao governo em processos para licitações futuras. Não correm o risco, no entanto, de ter sua participação vetada em editais.
Os contratos vigentes não devem ser afetados. “Se o malfeito não tiver relação com os contratos nos Estados Unidos, eles não serão afetados”, diz Jennifer, que é ex-promotora federal.
“Mas é possível que qualquer governo que pense em fechar um contrato com essa empresa no futuro queira algum tipo de garantia de que não há problemas na operação americana.”
No último dia 19, a Polícia Federal prendeu os presidentes da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, acusados de envolvimento com a corrupção na Petrobras.
Enquanto a Andrade Gutierrez tem atuação limitada nos EUA, com apenas dois projetos concluídos no país, a Odebrecht atua no mercado americano desde os anos 1990.
De acordo com o site da subsidiária americana da construtora, foram mais de 64 projetos ao longo de duas décadas, com valor somado que ultrapassa 6 bilhões de dólares (cerca de 18 bilhões de reais).
Entre os contratos públicos obtidos pela Odebrecht EUA estão a expansão do aeroporto e a construção do porto de Miami, na Flórida, uma arena esportiva na cidade e estradas nos Estados do Texas e da Louisiana.
Nota de crédito.
A agência de classificação de risco S&P (Standard and Poor’s) rebaixou a nota da Odebrecht de “BBB” para “BBB-” na escala global.
Com isso, o grupo fica a um grau de perder o selo de bom pagador. Caso tenha sua nota rebaixada novamente, a Odebrecht entrará no grau especulativo, com menos acesso a crédito e juros mais elevados no mercado internacional.
Segundo a agência, a revisão negativa é consequência da exposição da empresa a riscos mais altos em termos de reputação depois que cinco de seus principais executivos foram presos.
No último dia 20, a Moody’s, outra agência de rating, colocou a nota de crédito da Odebrecht e da Andrade Gutierrez em revisão para rebaixamento. (Folhapress)
Os comentários estão desativados.