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Brasil Entidades e especialistas se dividem sobre o novo ministro da Saúde

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Infectologistas e especialistas em pandemia veem com desconfiança “alinhamento total” do novo ministro com Bolsonaro. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Entidades e especialistas da saúde se dividem sobre a nomeação do oncologista e empresário Nelson Teich para o Ministério da Saúde no lugar de Luiz Henrique Mandetta. Infectologistas e especialistas em pandemia veem com desconfiança “alinhamento total” do novo ministro com Bolsonaro, enquanto apoiadores defendem as habilidades de negociação do oncologista.

Cláudio Maierovitch, médico sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz, foi diretor da ANVISA e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) do Ministério da Saúde. Apesar de destacar a experiência e conhecimento técnico de Teich, Maierovitch e seus colegas demonstram preocupação com o auto-proclamado “alinhamento completo” do ministro a Bolsonaro, que possui discurso notadamente contrário a medidas de isolamento para deter a pandemia.

“O ministro chega para cumprir um roteiro que já está pré-definido. A postura do presidente tem sido o oposto do que esperamos num momento de tanta preocupação e tristeza. O governo não tolerou conviver com a orientação técnica sobre a pandemia durante a gestão de Mandetta. Sua saída é um sinal claro do governo de que uma mensagem diferente daquela dada pelo Presidente não é considerada aceitável”, avalia.

A expectativa do especialista em medicina preventiva e epidemiologia é de enfraquecimento da atuação do Ministério nas próximas semanas:

“Espera-se um enfraquecimento da tomada de medidas baseadas no conhecimento científico. Essa não é a perspectiva do presidente, e por isso é pouco provável que prevaleça” — afirma o médico. “Mas a esperança é que, dado que é uma pessoa preparada e que tem longa experiência, ainda que não seja na área de saúde pública, o ministro vá insistir na importância da ciência e consiga convencer o próprio presidente a se inclinar para esse lado. Estamos ainda no começo do problema”, completa.

Além de infectologistas, enfermeiros paulistas, representados pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), também manifestaram-se contra a transição. Em nota, a entidade “avalia como negativa a demissão do Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, por considerar que a mudança no comando da pasta pode gerar instabilidade em um momento de pandemia, que exige foco e união de esforços. Além disso, é fundamental que o Ministério da Saúde seja um incentivador das políticas de isolamento social”.

Estudantes de medicina, representados pelo Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (DENEM), relacionam a entrada do novo gestor com um “desmonte do SUS intensificado durante o governo de Bolsonaro”:

“Ainda que tenha momentaneamente se afastado da empresa a que era vinculado, Teich é empresário da saúde e tem, obviamente, interesse no avanço do capital privado na área, através do fortalecimento do setor suplementar. Além de não ter experiência com saúde pública”, critica a diretora nacional da DENEM, Eduarda Matoso.

Nesta sexta-feira, representantes do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) foram barrados na entrada da cerimônia de posse de Nelson Teich como o novo ministro da Saúde. A situação gerou mal estar entre o novo ministro e as entidades.

O presidente do CONASS, Alberto Beltrame, divulgou nota avaliando como “grave” a ausência das duas entidades na cerimônia. Beltrame, que está com Covid-19, mandou um representante para a cerimônia. Segundo o Ministério, o convite para o presidente da entidade não era transferível para terceiros. “O Ministro Teich apresentou formalmente pedido de desculpas ao Conass pelo ocorrido”, divulgou Beltrame em nota, à tarde, após ligação oficial do novo titular da pasta.

Nelson Tech, no entanto, recebeu manifestações de apoio da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), a principal entidade da área médica em que é especialista.

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