Sexta-feira, 30 de Outubro de 2020

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Política Até 87% dos eleitores das capitais dizem que vão votar com certeza mesmo com a pandemia, aponta pesquisa Ibope

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TSE vai estender horário e adotar regras especiais para evitar contaminação pelo coronavírus

Foto: José Cruz/Agência Brasil
TSE vai estender horário e adotar regras especiais para evitar contaminação pelo coronavírus . (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Mesmo com a pandemia do coronavírus, o índice de eleitores que dizem que irão votar com certeza nas eleições municipais em novembro varia de 69% a 87% nas capitais, mostra o Ibope.

Boa Vista tem o maior percentual de eleitores que garantem comparecer à votação em novembro. Já Salvador apresenta o menor índice. Os dados têm como base as primeiras pesquisas Ibope divulgadas nas 25 capitais do País – apenas em São Luís (MA) ainda não foi feito um levantamento após o registro oficial das candidaturas.

Neste ano, o calendário das eleições foi adiado por causa da pandemia do coronavírus. O primeiro turno acontece em 15 de novembro; e o segundo, em 29 de novembro, de acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O tribunal anunciou uma série de medidas de segurança para evitar a contaminação durante a votação. Pela primeira vez, será possível justificar o voto pelo celular, usando o aplicativo e-Título. O eleitor tem até 14 de janeiro, para ausência no 1º turno, e 28 de janeiro, no 2º turno.

Ausências à vista

Menos de 10% dos eleitores dizem que não vão votar de jeito nenhum em novembro. O maior percentual é do Rio de Janeiro e de Curitiba, onde 8% dizem que não irão às urnas. Já em Boa Vista e Vitória, apenas 2% dizem que não comparecerão.

Faltando pouco menos de um mês para o primeiro turno – marcado para 15 de novembro –, o número de eleitores que se dizem em dúvida varia bastante entre as capitais. De 9%, em Boa Vista, a 24%, em Salvador.

Voto quase facultativo

Os altos números de eleitores que dizem que irão comparecer surpreendem Marcia Ribeiro Dias, coordenadora do bacharelado em Ciência Política da Unirio. Especialista em representação e participação política, a pesquisadora afirma que essa eleição pode se aproximar de um “simulacro de voto facultativo” por conta da facilidade para justificar a ausência.

“São percentuais altos de eleitores que dizem que vão comparecer”, afirma. “É possível que muitos ainda não estejam informados sobre a facilidade maior para justificar a ausência eletronicamente neste ano.”

“Se a pessoa tiver a facilidade de poder justificar eletronicamente o seu não comparecimento, certamente esse número [de abstenções] vai aumentar. E aí isso vai contaminar um pouco o resultado das eleições, assim como o voto facultativo. Se você pode não comparecer e você não acredita naquilo, se nenhum daqueles candidatos te representa, a sua tendência é não participar. Isso vai reduzir a participação política, sem sombra de dúvida.”

Ela afirma, no entanto, que a possibilidade de justificar a ausência pela internet é necessária. “É uma medida necessária diante de uma situação de pandemia. Não se pode culpar a Justiça eleitoral por tomar essa decisão”, diz Marcia Ribeiro Dias. “Agora a gente vai ver com mais clareza o quanto que há de descrédito na política por parte do cidadão brasileiro.”

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