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Saúde Epidemiologista gaúcha recebe prêmio da embaixada dos Estados Unidos por contribuição à sociedade

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A médica e epidemiologista Ana Maria Baptista Menezes, do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da UFPel, está entre as sete brasileiras vencedoras do prêmio “Brazilian Women Making a Difference”. (Foto: Daniela Xu/Epidemiologia UFPel)

Ela está no ranking dos cem primeiros autores mais citados sobre a DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) na literatura científica mundial, publicado pelo International Journal of Chronic Obstrutive Pulmonary Disease. À frente do estudo Platino, coordenou o primeiro levantamento populacional sobre a prevalência de bronquite crônica e enfisema na América Latina, mostrando que a proporção dessas doenças, diretamente associadas ao fumo, era quase duas vezes maior do que projeções anteriores ao estudo. Suas pesquisas ajudaram a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc, na sigla em inglês), da OMS (Organização Mundial de Saúde), a estabelecer a relação entre tabagismo e câncer, especialmente tumores de cabeça e pescoço, e doenças pulmonares. E evidências mais recentes de seu trabalho no Estudo de Prevalência da Infecção por Covid-19 no Brasil (Epicovid19-BR) revelaram a alta frequência de alterações de olfato e paladar em infecções pelo Sars-Cov-2, o que aponta esse sintoma como importante auxiliar no diagnóstico de casos de infecção por coronavírus.

O impacto e a relevância científica de estudos como esses renderam à médica e epidemiologista Ana Maria Baptista Menezes, do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da UFPel (Universidade Federal de Pelotas), o reconhecimento da Embaixada e dos Consulados dos Estados Unidos no Brasil, que anunciaram a professora emérita da UFPel entre as sete brasileiras vencedoras do prêmio “Brazilian Women Making a Difference” (Mulheres Brasileiras que Fazem a Diferença) de 2021.

“É uma honra ter sido uma das escolhidas. A maior gratificação é ver o quanto a ciência pode contribuir para mudar a cultura, os hábitos de uma sociedade, proporcionando benefícios concretos para a população”, diz a epidemiologista.

Segundo anúncio publicado no site da Embaixada e Consulados, as homenagens – feitas no último dia 31 em comemoração ao mês da mulher – reconhecem brasileiras que se destacam em sua área de atuação a ponto de chamar a atenção no cenário nacional, “gerando transformações estruturais na sociedade”. O prêmio é direcionado a mulheres que estão causando um impacto positivo em suas sociedades e servindo como forças de inspiração para seus concidadãos.

“Queremos reconhecer as importantes contribuições destas sete mulheres excepcionais, cujas ideias, trabalho duro e inovações estão fazendo a diferença em todo o Brasil. Cada uma delas tem enfrentado desafios, seja pesquisando a covid-19, trabalhando para tornar as comunidades mais seguras, combatendo a violência de gênero, ou protegendo os direitos dos indígenas. Mas, apesar de tudo isso, elas perseveraram, superaram seus desafios, e agora servem de inspiração para todos nós”, ressalta o embaixador dos EUA para o Brasil, Todd Chapmann, em comunicado da premiação.

“Não há barreiras que não possam ser transportadas pelas mulheres; todas podem atingir muito, até o inimaginável. Elas são movidas pelo seu desejo de realização, pelo desafio, pela persistência dos seus objetivos, pela liderança através do trabalho coletivo, e nunca pela individualidade. A grande sabedoria das mulheres está em sua capacidade de associar ‘ciência e sentimento’; jamais o sucesso será alcançado se não andar junto com nossas emoções e sensibilidade”, destaca a homenageada.

Natural de Pelotas, no Rio Grande do Sul, Ana Menezes é professora titular aposentada na área da Pneumologia e Clínica Médica e professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia na mesma universidade. Ao lado dos projetos nacionais e internacionais em pneumologia e saúde pública, Menezes coordena o estudo de Coorte de Nascimentos de 1993 em Pelotas, que acompanha a saúde de todas as crianças nascidas na cidade no ano de 1993, tendo contribuído para demonstrar a importância de fatores presentes durante a gestação e os primeiros anos de vida sobre a saúde respiratória a longo prazo. Atualmente, integra a coordenação do estudo Epicovid19-RS, conduzido pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da UFPel. A pesquisa realiza inquéritos sorológicos em série em 133 cidades brasileiras para conhecer a proporção de casos de coronavírus na população dos principais centros urbanos do país. Além de estimar o percentual de brasileiros infectados com o SARS-CoV-2, o estudo fornece evidências sobre o percentual de infecções assintomáticas, os sintomas mais comumente relatados pelos infectados e a velocidade de disseminação do contágio ao longo do tempo. As informações são da UFPel.

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