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Porto Alegre Espaço Cultural em Porto Alegre realiza exposição e roda de conversa com xilogravurista de destaque no RS

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Arlete Santarosa é um dos principais nomes gaúchos da técnica. (Foto: Marcello Campos/Divulgação)

Localizado no Centro Histórico de Porto Alegre, o Espaço Cultural do Hotel Praça da Matriz (HPM) abre suas portas à mostra “Tempo Gravado”, com 15 xilogravuras produzidas pela consagrada artista plástica gaúcha Arlete Santarosa nas últimas quatro décadas. A mostra tem abertura às 11h do próximo sábado (22) e visitação de segunda a sexta (10h-18h), com entrada franca.

Ela também está confirmada para a próxima edição da série “Roda de Cultura”, no dia 2 de setembro (quarta-feira), às 15h. Na pauta do tradicional bate-papo entre público e protagonistas do segmento, detalhes e reflexões sobre a trajetória de Arlete.

Ambos os eventos têm entrada gratuita e aberta ao público, porém com vagas limitadas mediante reserva pelo whatsapp (51) 98595-5690. Endereço: Largo João Amorim de Albuquerque nº 72 (a menos de 100 metros do Theatro São Pedro), no Centro Histórico de Porto Alegre.

Sobre a artista

Um dos mais representativos e aclamados talentos da xilogravura no Rio Grande do Sul, Arlete Santarosa iniciou sua trajetória profissional como professora primária em Bento Gonçalves (Serra Gaúcha), sua cidade natal. Licenciou-se em Artes Visuais pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) em 1969 e transferiu-se no ano seguinte para Porto Alegre, onde estudou com mestres como Danúbio Gonçalves e Anico Herskovits ao longo das décadas seguintes.

A impressão de imagens a partir de matrizes em madeira – técnica que havia despertado seu interesse nos tempos de faculdade – dividiu agenda com as exigências do magistério até a aposentadoria, em 1988. Foi quando conseguiu dedicar maior tempo a uma produção consistente e que se distingue pelo uso de planos fragmentados e linhas sugestivas de movimento na reinterpretação de cenas da cidade, dentre outros elementos.

“Meu trabalho é atemporal, espontâneo, descritivo e inspirado na natureza urbana que observo e tento reproduzir de forma leve, sob um prisma também feminino, em meio aos desafios impostos pela própria xilogravura, tão exigente em seu rigor técnico quanto inesgotável em possibilidades criativas”, contextualiza a autora, cuja assinatura está em peças de acervos públicos (Margs, MACRS, Pinacoteca Aldo Locatelli), galerias Habitart e AZ, além de coleções particulares.

Em paralelo aos caminhos percorridos como artista plástica, professora e mãe, ao longo dos últimas décadas Arlete Santarosa esteve no comando do Núcleo de Gravura do Rio Grande do Sul e integrou o Conselho Estadual de Cultura. Também esteve atuou na coordenação de programas como “Arte nos Trilhos” (Trensurb) e oficinas no antigo Santander Cultural, bem como voluntária em instituições como a Associação Chico Lisboa e Associação dos Amigos das Pinacotecas de Porto Alegre (Aapipa).

Espaço HPM

Inaugurado como imóvel residencial no final da década de 1920, o palacete do Largo João Amorim de Albuquerque nº 72 abriga há 50 anos o Hotel Praça da Matriz. O empreendimento passou por ampla revitalização e, sob o comando da família Patrício desde 2014, hospeda anônimos e famosos, além de abrigar o Espaço Cultural HPM, com foco em exposições, saraus, lançamentos de livros e outros eventos.

A origem do imóvel remonta a Luiz Alves de Castro (1884-1965), o “Capitão Lulu”, dono do famoso cabaré-cassino “Clube dos Caçadores”, instalado de 1914 a 1938 na rua Andrade Neves (a poucas quadras dali) e enaltecido por cronistas e escritores como Erico Verissimo. A fortuna amealhada pelo empresário com a atividade ainda bancou, na mesma época, a construção do imponente edifício que hoje sedia o Espaço Cultural Força e Luz (Rua da Praia).

Contratado por Lulu, o engenheiro e arquiteto teuto-gaúcho Alfred Haasler projetou quatro andares com subsolo, pátio interno e dois diferenciais naquele tempo: garagem e sistema francês para calefação de água, tudo em estilo eclético, com mármores, azulejos e outros materiais importados. O conjunto está inventariado como de interesse histórico pelo Município e contemplado com o programa Monumenta, permitindo a recuperação de fachada, cobertura e estrutura elétrica.

O proprietário não teve muito tempo para aproveitar tamanho requinte, pois migrou no início da década de 1930 para o Rio de Janeiro, ampliando atividades (foi sócio do Cassino da Urca e dono de diversos empreendimentos). Com o decreto federal que em 1946 proibiu os jogos-de-azar, Lulu se desfez do seu patrimônio em Porto Alegre. O palacete junto à Praça da Matriz – até então alugado a terceiros – trocou de mãos e serviu como sede provisória do Clube do Comércio, dentre outras finalidades, até ser adquirido em 1949 por um comerciante cuja nora, Ilita Patrício, mantém hoje com a família o estabelecimento hoteleiro.

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