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Brasil Especialistas reforçam a importância da vacinação de adolescentes e criticam o Ministério da Saúde

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Intervalo entre primeira e segunda dose passa a ser de 8 semanas. (Foto: Governo do Estado de São Paulo)

Especialistas em saúde criticaram a nova orientação do Ministério da Saúde, que deixou de recomendar a aplicação da vacina contra a covid-19 para adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades. A proteção desse público, apontaram epidemiologistas, também é importante para a imunidade coletiva, além de desempenhar um papel social importante com a volta mais segura às aulas.

Para a epidemiologista Ethel Maciel, “não há justificativa técnica” para a interrupção por parte da pasta. “A única justificativa nesse momento seria a prioridade da vacinação em relação ao número de vacinas disponíveis. Mas, se há vacinas disponíveis, não há nenhuma razão de segurança para que isso (a interrupção) aconteça”, diz Maciel.

A epidemiologista explica que um dos principais argumentos utilizados na nota do Ministério da Saúde, de que a Organização Mundial da Saúde (OMS) não estaria recomendando a vacinação de adolescentes, não se sustenta. Isso porque o que a OMS indicou, explica Maciel, é que a prioridade neste momento seja a imunização dos adultos.

“Obviamente, os países que já avançaram na vacinação de adultos devem, sim, avançar na vacinação dos adolescentes, com e sem comorbidades”, reforça a epidemiologista, complementando ainda que, como os indicadores epidemiológicos do País são “muito piores” quando equiparados aos de outros países, a necessidade de vacinação de adolescentes no Brasil é ainda maior.

“Vacinar os adolescentes tem uma importância enorme no Brasil, comparado com outros países desenvolvidos, inclusive porque aqui um grupo muito maior nessa faixa etária adoeceu e morreu”, explica Maciel.

Segundo ela, a suspensão da imunização desse grupo é negativa por ao menos três fatores. Primeiro porque causa insegurança, já que, como relembra, o próprio ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, tinha indicado que a vacinação de adolescentes teria início em 15 de setembro e alguns Estados e municípios começaram a vacinar esse público com antecedência. “Cria-se na sociedade uma hesitação vacinal, uma suspeição em relação à segurança. Isso é muito ruim”, diz.

Um segundo ponto, segundo Maciel, diz respeito a um aspecto social. “Esse grupo, os adolescentes, foi extremamente prejudicado durante a pandemia pela dificuldade de ter suas atividades de interação social, que são extremamente necessárias nesse grupo. Elas foram completamente diminuídas, gerando problemas de saúde mental”, reforça.

Além disso, um terceiro fator apontado pela epidemiologista é que adolescentes convivem com grupos que são mais vulneráveis, podendo replicar a doença para essas pessoas. “Em geral, no Brasil, que diferentemente de outros países desenvolvidos a escola não é de tempo integral, os adolescentes ficam com avós e outros familiares que estão mais suscetíveis a terem uma doença de maior gravidade”, diz Maciel, reforçando a importância da imunização do grupo.

Imunidade coletiva

O epidemiologista Pedro Hallal reforça que campanhas de vacinação não podem ser destinadas só a grupos de risco. “Campanha de vacinação é para atingir imunidade coletiva. Então, quanto mais gente estiver vacinada, mais a gente está protegido”, diz.

Segundo ele, o fato de os adolescentes, na maioria das vezes, terem apenas casos leves de covid-19 não tira a necessidade deles se vacinarem para evitar a disseminação do vírus. A lógica adotada pelo Ministério da Saúde, explica Hallal, trata a vacinação como um tratamento individualizado, quando na verdade deve ser entendida como uma estratégia coletiva.

“Enquanto o Ministério da Saúde não entender que só se vence uma pandemia com uma abordagem populacional, coletiva, nós vamos seguir remando contra a maré e obtendo resultados ruins”, reforça Hallal.

“Cada vez que sai uma manifestação dessas, com pouco embasamento e com argumentos falaciosos, as pessoas param de confiar na fonte que é o Ministério da Saúde”, destaca Hallal, também reforçando que não há nenhuma justificativa técnica para a adoção da medida. “A única justificativa técnica é se tem falta de vacina e eles não querem admitir.”

Comorbidades

O Ministério da Saúde tirou adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades da lista de grupos cuja vacinação contra a covid-19 é recomendada. Por meio de nota informativa, a pasta pede que sejam vacinados só os adolescentes com comorbidades ou privados de liberdade.

O ministro Marcelo Queiroga afirmou, em entrevista coletiva, que os adolescentes sem comorbidades que tomaram a 1.ª dose, por ora, não voltem para a 2.ª aplicação. Já aqueles com comorbidade devem concluir o esquema vacinal.

Em coletiva de imprensa na tarde desta quinta, Queiroga criticou os Estados que vacinaram adolescentes antes da autorização oficial do ministério. “Essa vacina só deveria ter sido aplicada após o dia 15 de setembro”, disse. A recomendação do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19 era para vacinar primeiramente os adolescentes com comorbidades e os privados de liberdade. A pasta citou que apura um evento adverso grave.

“A vacinação (dos adolescentes) deveria ter começado ontem (quarta-feira). Sabe quantos (vacinados) já tem? Quase 3,5 milhões”, disse. Dados apresentados na coletiva mostram que 3.538.528 pessoas de 12 a 17 anos já foram imunizadas contra a covid-19. O número tende a ser ainda maior porque há uma demora entre a aplicação da vacina e o registro no sistema.

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