Sexta-feira, 01 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 28 de outubro de 2019
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) ocorre quando há uma alteração na circulação sanguínea do cérebro. Ele pode ser isquêmico – quando um vaso sanguíneo no cérebro fica bloqueado devido a um coágulo ou trombo – que é o tipo mais comum, correspondendo a 85% dos casos, ou o hemorrágico – quando a artéria se rompe e o sangue extravasa.
Infelizmente, os casos de AVC estão crescendo em todo o mundo, sendo uma das principais causas de mortalidade e incapacidade (1,2). Estima-se que a cada ano 13,7 milhões de pessoas sofram da doença e a cada seis segundos, uma pessoa morra por conta desse quadro, o que significa 5,5 milhões de mortes por ano em todo o planeta.
No Brasil, os números também são alarmantes. Por aqui, são mais de 400 mil novos casos todos os anos e a cada cinco minutos, uma pessoa morre, totalizando mais de 100 mil mortes/ano. A doença é a principal causa de incapacidade em adultos e já foi a principal causa de morte no País, passando ser a segunda causa de morte desde 2011.
Com foco na prevenção do AVC, a campanha de 2019 “Don’t be the One” (“Não Deixe que Seja Você”) visa aumentar a conscientização sobre o risco individual de AVC e equipar ao máximo as pessoas com informações e ferramentas de prevenção que podem salvar vidas. Uma em cada quatro pessoas terá um AVC ao longo de sua vida, mas 90% dos casos podem ser prevenidos atuando em 10 fatores de risco. Pensando em alertar a população sobre o impacto da doença, popularmente chamada de derrame, a agenda mundial de saúde reserva o 29 de outubro como o Dia Mundial de Combate ao AVC. Atividades de conscientização ocorrerão durante todo o mês.
Sinais de alerta
A grande preocupação é capacitar a população para saber como identificar os sintomas da doença. Segundo a Fundadora e Presidente da Rede Brasil AVC e Vice-presidente da Organização Mundial do AVC (World Stroke Organization), a neurologista Dra. Sheila Martins, o socorro urgente é imprescindível: “O AVC é uma doença que demanda o olhar do outro para que o socorro aconteça rapidamente. Portanto, ao identificar os sintomas clássicos, sempre de início súbito, como perda da força muscular ou formigamento, nos braços ou pernas principalmente de um lado do corpo, assimetria facial, dificuldade de fala, dificuldade da visão, além de fortes dores de cabeça, ligue imediatamente para o SAMU 192”.
A especialista reforça que além dos óbitos causados pelo AVC, cerca de 50% dos sobreviventes passam a ter sequelas, que levam à dependência parcial ou total, e até 30% desenvolvem algum tipo de demência nos meses seguintes. “Quando uma pessoa tem um Acidente Vascular Cerebral (AVC) cerca de 1,9 milhões de neurônios morrem por minuto. A rapidez no atendimento garante que essa perda seja mitigada e que o tratamento adequado seja realizado o quanto antes possível”, explica a médica.
Tratamentos
Durante décadas, a trombólise tem sido o método mais usado para tratar o AVC. Trata-se de um procedimento, que utiliza a medicação para dissolver o coágulo que interrompe a circulação cerebral. Esses medicamentos são chamados de trombolíticos.
No entanto, a oclusão de grandes vasos no AVC isquêmico agudo está associada a baixas taxas de recanalização sob trombólise intravenosa. Neste cenário, a trombectomia mecânica representa uma nova alternativa terapêutica. O procedimento, indicado para reduzir a incapacidade relacionada ao AVC, usa um dispositivo para trombectomia que, ao se expandir para a artéria, prende e remove o coágulo, restabelecendo a circulação.
“Recentemente a Rede Brasil AVC, em parceria com o Ministério da Saúde, concluiu um estudo de viabilidade para incluir a trombectomia no SUS. Chamado de RESILIENT, a pesquisa foi realizada de 2017 a 2019 em 12 centros de saúde nacionais e contou com a participação de 221 pacientes. Os pesquisadores concluíram que, quando comparada aos tratamentos medicamentosos – que estão no SUS – a cirurgia aumenta de 20% para 35% a chance de independência funcional do indivíduo, além de aumentar em 3,4 vezes a chance de ficar sem sequelas e reduzir em 16% a mortalidade ou o risco de dependência grave. É um progresso incrível para o impacto do AVC na sociedade brasileira”, afirma a neurologista.
Saiba mais sobre o AVC
De todos os acidentes vasculares cerebrais que ocorrem no mundo, 90% estão ligados a fatores de risco, dos quais é possível evitar: hipertensão arterial, colesterol alto, diabetes, arritmias cardíacas, sedentarismo, obesidade, ingestão excessiva de gordura, álcool e drogas, tabagismo e depressão/ansiedade.
Fique atento aos principais sintomas do AVC. Qualquer sinal de alerta, o paciente deverá chamar uma ambulância (SAMU 192) ou ser encaminhado ao pronto socorro do hospital mais próximo. Um exame de imagens cerebrais, uma tomografia ou uma ressonância magnética será solicitado para diagnosticar o tipo de AVC (hemorrágico ou isquêmico) e, assim, indicar o melhor tratamento.
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