Quinta-feira, 13 de Agosto de 2020

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Cinema ESTREIA – Em “Um Pouco de Caos”, Alan Rickman dirige romance de época convencional

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Filme traz Kate Winslet na pele de uma paisagista. (Foto: Reprodução)

Mais celebrado como vilão de “Duro de Matar” e mago na saga “Harry Potter”, o ator inglês Alan Rickman tem pouco reconhecimento por aqui por sua dedicada carreira teatral ou mesmo pelo primeiro filme que dirigiu, o incompreendido “Momento de Afeto” (de 1997). Agora, com “Um Pouco de Caos”, ele quer mostrar mais de suas qualidades ao público, neste romance de época que coescreveu, ambientado na França do século 17.

Personificando ele próprio o Rei Sol Luís XIV, em um glamour praticamente teatral, o ator e diretor leva o espectador à construção dos jardins do palácio de Versalhes. Na lista de exigências do mais absolutista dos monarcas europeus de qualquer época, seus pedidos como “que o céu seja aqui” e “paraíso” atravessam como gelo a espinha do paisagista André Le Notre (Matthias Schoenaerts).

A vontade da vez do rei é um salão de baile com fonte de água ao ar livre, que precisa harmonizar com o restante do gigantesco jardim. Quadrado como um escriba (algo curioso para quem na vida real desenhou a Champs-Élysées, por exemplo), Le Notre procura alguém original para ajudá-lo na empreitada. Encontra o tal “toque de caos” na jardineira nada ortodoxa Sra. De Barra (Kate Winslet), viúva e independente em meio ao mundo de homens. Com fantasmas próprios bem guardados em um baú, ela se entrega ao trabalho e aos braços do mestre Le Notre.

Corretíssima do ponto de vista melodramático, a produção se ampara na ambientação (no belíssimo e inglês palácio Blenheim), ressaltada pela fotografia assinada por Ellen Kuras (de “Rebobine, Por Favor”), e no trabalho polivalente de Winslet. Mas, no fim, a história e o próprio filme são apenas digestivos e nada mais do que convencionais.

Os deslizes não são necessariamente a falta de correspondência com a aristocracia francesa (esta que se vê é inglesa até o último chá, incluindo os figurinos reaproveitados da série de TV “The Tudors”), ou o embuste do trabalho de De Barra, que se mostra uma obra de engenharia, mais do que de jardinagem.

O que retira grande parte da força de “Um Pouco de Caos” é a falta de cuidado com os próprios personagens. Como um Le Notre apagado, com uma temerária e unidimensional atuação de Schoenaerts, o caricato irmão bissexual do rei (Stanley Tucci) e uma corte francesa, que afia as unhas para De Barra mas se mostra um grupo, praticamente, de autoajuda para senhoras arrasadas por perdas afetivas.

Com o orçamento micro, Rickman fez o que pôde, usando a criatividade habitual de atores de teatro para adequar texto à produção. No entanto, usar sensibilidade moderna em drama de época não funciona nem em teatro conceitual de rua. (Rodrigo Zavala/Reuters)

Confira o trailer do filme:

Confira a galeria de fotos:

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