Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 5 de agosto de 2017
O engenheiro Antonio Cid Campelo, representante da construtora OAS no consórcio que venceu um trecho da licitação do BRT Transcarioca, afirmou em depoimento à Polícia Federal que fez entregas de dinheiro a Sérgio Tadeu Lopes, braço-direito do presidente do TCM (Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro), Thiers Montebello.
Campelo disse que os repasses ocorreram após ele ser avisado pelo então secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto, preso na quinta-feira, que seria necessário “um acerto com o TCM”, já que a praxe era direcionar ao tribunal 1% do valor dos contratos. Esta é a primeira vez que alguém ligado a empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato cita um conselheiro do TCM como beneficiário de propina. Os integrantes do tribunal tem foro no Superior Tribunal de Justiça.
Campelo afirmou também que houve fraude no caráter competitivo da licitação da Transcarioca. Segundo ele, a secretaria municipal de Obras, por meio do fiscal Eduardo Fagundes, colocou no edital a exigência de a empresa interessada já ter executado uma “ponte estaiada com seção horizontal e vertical em curva”. O item eliminou grande parte dos concorrentes, direcionando o certame, já que apenas a OAS havia executado esse tipo de obra no Brasil.
Em nota, Thiers Montebello afirmou que não tomou ciência da investigação em curso e que não conhece o engenheiro da OAS. O TCM disse que Sérgio Tadeu Lopes é assessor da presidência e, em mais de 20 anos de trabalho, nunca praticou um ato que desabonasse sua conduta. Lopes, por sua vez, afirmou que, das pessoas citadas por Campelo, só conhece o ex-secretário de Obras do município.
Patrimônio cresceu 515%
O agente administrativo Miguel Silva Estima, responsável pela licitação que definiu o consórcio construtor do BRT Transcarioca, teve um ganho patrimonial de 515% em seis anos, entre 2009 e 2015, engordado por pagamentos feitos por empresas que prestavam serviços à prefeitura do Rio.
Segundo o Ministério Público Federal, Estima e o ex-secretário municipal de Obras Alexandre Pinto, preso na quinta-feira, realizaram diversas transações de imóveis para lavar o dinheiro de propina recebida de empreiteiras que executavam obras municipais. Estima, que era o gerente de Licitações da secretaria, também ocultou da Receita Federal um imóvel de 217 mil reais. Ele foi alvo de mandados de condução coercitiva e de busca e apreensão durante a Operação Rio 40 Graus.
A força-tarefa da Operação Calicute, versão da Lava-Jato no Rio, aponta indícios de que ele teria omitido informações com o objetivo de esconder o acréscimo patrimonial incompatível com seus vencimentos como servidor municipal — o patrimônio saltou de 569,4 mil reais em 2009 para 3,5 milhões de reais em 2015. Durante o período, ele informou ter recebido 1, 7 milhão de reais de pessoas físicas, sem, no entanto, mencionar os CPFs correspondentes.
Os investigadores identificaram que ao menos três empresas que recebiam direta ou indiretamente verbas da prefeitura deram dinheiro a Estima entre 2011 e 2015: A Rodnitzky Comércio e Exportação de Granitos (130 mil reais); Rodomac Pavimentação Ltda (195 mil reais); e R.C. Vieira Engenharia (300 mil reais), contratada pela secretaria para várias obras. (AG)
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