Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 23 de fevereiro de 2016
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso classificou como “invenção” a afirmação da jornalista Mirian Dutra de que ele teria usado a empresa Brasif Exportação e Importação para enviar remessas de dinheiro para ela entre 2002 e 2006.
“Não há denúncia nenhuma. A própria empresa diz que não é verdade. Isso não existe, é invenção. Essas coisas são menores. Estou preocupado com o Brasil. Não tenho nada o que temer ou esconder”, disse FHC.
O ex-presidente concedeu uma entrevista na saída de um evento da pré-campanha do vereador Andrea Matarazzo, que disputa a vaga de candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo. O evento foi a primeira aparição pública de FHC desde que a jornalista – com que ele manteve um relacionamento extraconjugal nos anos 1980 e 1990 – concedeu uma entrevista, na qual afirmou ter assinado um contrato fictício de trabalho com a Brasif.
A empresa, que foi concessionária das lojas duty free nos aeroportos brasileiros, confirmou ter contratado a jornalista em 2002 – por meio da Eurotrade –, mas disse que Fernando Henrique “não teve qualquer participação nessa contratação, tampouco fez qualquer depósito na Eurotrade ou em outra empresa da Brasif”.
Diante da insistência dos repórteres com o tema, o tucano afirmou que o assunto é “privado” e não está baseado em “fatos”. “O que pertence ao âmbito privado não é público”, disse Fernando Henrique. “Não tem fatos. Qual foi a coisa que eu fiz de errado? Vocês estão insistindo em um tema que não existe.”
Fernando Henrique tem chances remotas de responder a um processo por ter usado, supostamente, uma empresa para remeter recursos para Mirian, segundo advogados ouvidos pela reportagem.
Recursos mensais para custear as despesas do filho.
De acordo com a jornalista, ela assinou um contrato fictício de consultoria com a Brasif para que FHC lhe enviasse recursos mensais para custear as despesas do filho dela.
Mirian diz que Tomás Dutra Schmidt é filho de FHC. O ex-presidente afirma, no entanto, que dois exames de DNA não provaram a paternidade.
A Brasif diz ter usado a Eurotrad para fazer os pagamentos à jornalista. Se a remessa a Mirian tivesse sido feita a partir do Brasil, poderia caracterizar crime de evasão fiscal. Usar um motivo falso para justificar a remessa caracteriza crime de evasão de divisas.
O político disse ter feito outras remessas a Tomás “a partir de contas bancárias declaradas e com recursos próprios resultantes de seu trabalho”. Ainda segundo ele, “não tem fundamento, portanto, qualquer ilação de ilegalidade”.
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