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Literatura Força e originalidade potencializam o impacto de minicontos em novo livro do porto-alegrense Roger Monteiro

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Autor apresenta um estilo original, em textos curtos com personagens densos e situações-limite. (Foto: Marco Freitas/Divulgação)

O escritor, artista visual, designer gráfico e roteirista porto-alegrense Roger Monteiro acaba de lançar o livro “99 Quase Contos” (editora HorrorVacuo, 208 páginas), coletânea inédita de textos curtos com frases desconexas, trechos de obras não escritas e fragmentos de textos que jamais existiram. São escritos que podem ocupar parágrafos ou apenas uma linha, em narrativas com início, meio e fim, mas nunca as três coisas ao mesmo tempo.

“Uma leitura rápida e superficial, se esse for o desejo do leitor, ou justamente o contrário, para quem estiver disposto a se arriscar”, desafia o autor. Ele relata, ainda, que esses “quase contos” costumam surgir para ele em meio a outros textos: “Eu vou escrevendo e, lá pelas tantas, algum trecho acaba por não se adequar ao todo, mas merece ser lido por alguém”.

E apesar de se apresentarem diferentes na forma, os “quase contos” encontram um denominador comum no universo narrativo de Monteiro, que costuma girar em torno de personagens densos e situações-limite. “Esses ‘quase contos’ são tão marginais quanto os personagens que eles retratam”, compara. O “quase conto” 98 (que na verdade é o segundo, já que os textos estão numerados de trás para frente) fornece uma boa amostra desse trabalho:

“Sempre se orgulhou de caminhar altivo até o patíbulo. Todas as vezes que morreu, vítima dos monstros que ele mesmo alimentara, sentiu o cair da lâmina como alguma canção estúpida de triunfo. Nunca hesitou em sacrificar a realidade satisfatória, pela fantasia excepcional. Viveu a pantomima. Se tornou máscara. Por mais que os guizos, tilintando em seu chapéu, traíssem sua verdadeira posição naquela corte, seu espelho refletia o cavaleiro. Foi quase feliz de verdade. Foi plenamente feliz de mentira”.

A publicação já está à venda – R$ 29,90 – no site Mercado Livre ou na livraria virtual Amazon. Mais informações podem ser obtidas na página da editora HorroVacuo – do próprio autor – no Facebook.

Créditos

A obra tem capa do artista gráfico Humberto Nunes, projeto gráfico do autor, arte-final de Ricardo Lilja e prefácio da professora Neusa da Silva Matte, doutora em Literatura Comparada pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e que classifica o conteúdo como “um texto tapa-na-cara da hipocrisia”, dentre outras definições:

“Poucas vezes li um texto tão dolorosamente real. Faz acordar o incauto e o covarde, e se mostra como um espelho que faz arder os olhos. O escritor seduz o leitor e, aos poucos, o torna cúmplice de seus vícios e virtudes para vencer a solidão. E ele vence”.

Publicação da editora HorrorVacuo já pode ser adquirida na internet. (Foto: Divulgação)

O autor

Designer gráfico, artista plástico, fotógrafo e roteirista, “não necessariamente nessa ordem”, Roger Monteiro nasceu na Porto Alegre do final da década de 1970 e se autodefine como um “provocador profissional”. Em 2018, lançou também pela HorrorVacuo o livro “Junho, Fragmentos de uma Revolução Flashmob”, com Felipe Basso. É também um dos autores de “Desconstruindo Marcas” (Entrementes Editorial, 2012).

Em outra faceta de sua atuação, roteirizou diversos curtas-metragens, dentre eles o premiado “Kassandra” (2013), que por sua vez deu origem à graphic novel “Kassandra – Versos do Silêncio e da Loucura” (Independente, 2014). Nas artes plásticas, “Porn?No.Graphics” (2014) e “Mutabilis” (2020) são alguns dos títulos de suas exposições individuais.

(Marcello Campos)

 

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