Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 29 de maio de 2018
Sete “infiltrados” no movimento dos caminhoneiros foram presos, segundo o governo federal. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que os protestos restantes em rodovias no 9º dia da greve dos caminhoneiros são “manifestações políticas”. Segundo Padilha, os representantes de caminhoneiros que negociaram com o Palácio do Planalto afirmaram que a greve, da parte deles, foi encerrada. O ministro relatou que os bloqueios que ainda persistem em algumas rodovias têm mais participação de populares que de caminhoneiros.
“O que temos hoje são manifestações que envolvem populares, que envolvem outras pessoas que não caminhoneiros, e também, em alguns casos, caminhoneiros, óbvio. E o cunho da manifestação extravasa as questões e reivindicações dos caminhoneiros e ganha já um corpo de manifestações políticas”, afirmou o ministro.
“Nós temos que tratar desse assunto da forma a não obstruir nem prejudicar os caminhoneiros que estão retornando ao trabalho”, completou Padilha. O ministro deu uma entrevista no Palácio do Planalto após reunião do gabinete de crise que analisa efeitos da greve no abastecimento do País.
Segundo Padilha, o Brasil caminha para normalizar o abastecimento. “Caminhamos nessa direção [de normalizar o abastecimento]. É um processo que não tem a velocidade que nós gostaríamos que tivesse, mas ele vai crescendo de intensidade. Hoje mais do que ontem, e amanhã seguramente, muito mais do que hoje, caminhando para uma normalidade”, disse.
Prisões
O governo informou que foram registradas sete prisões no Maranhão em “função de bloqueio e ações criminosas contra um comboio”. Não havia caminhoneiros entre os presos, de acordo com o ministro Carlos Marun, da Secretaria de Governo, também presente à entrevista. Os detidos, segundo ele, impediam os caminhoneiros de retornar ao trabalho.
“Existe infiltração indevida neste momento, porque pessoas estavam impedindo os caminhoneiros de dirigir os seus caminhões”, afirmou.
A PRF (Polícia Rodoviária Federal) informou na tarde de terça-feira (29) haver 616 “pontos de concentração de caminhoneiros” às margens das rodovias federais e apenas três pontos onde existe “interdição total”: no Distrito Federal, no Ceará e em Minas Gerais.
Na prática, a PRF mudou a nomenclatura: até segunda-feira (28), havia 594 “pontos em situação de bloqueio”, a maioria deles parcial e sem prejuízo aos demais veículos. Agora, em nota, falou nos “pontos de concentração de caminhoneiros”. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Segurança Pública, a nova classificação se deu para “deixar mais preciso” o formato de divulgação dos dados.
“Não existem bloqueios nesses pontos, apenas a concentração de manifestantes em áreas às margens das rodovias e sem prejuízo à livre circulação”, informou a PRF, em nota.
Em entrevista na sede do Ministério da Defesa, Renato Borges Dias, diretor-geral da PRF, não deu detalhes sobre a mudança de classificação. A modificação do critério de divulgação se dá em meio à continuidade da greve dos caminhoneiros, dois dias depois de o presidente Michel Temer ter feito nova proposta para acabar com o movimento.
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