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Economia Governo Lula ainda teme tarifaço e avalia que terá que fazer concessões aos Estados Unidos

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O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, reclamou das tarifas impostas pelo Brasil aos produtos americanos. (Foto: Reprodução de vídeo)

Apesar de terem celebrado a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na quinta-feira (7) em Washington, integrantes do governo brasileiro entendem ser necessário fazer alguma concessão para que os americanos encerrem a investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 do país.

Auxiliares de Lula avaliam que a reunião deve servir, no mínimo, para ganhar tempo. Se não ocorresse, o risco de uma sanção imediata seria maior. Os dois presidentes acertaram a criação de um grupo de trabalho com integrantes dos dois governos para discutir no prazo de um mês as tarifas em vigor no comércio entre os dois países.

Os assessores brasileiros esperam que nesse período não sejam anunciadas novas taxas aos produtos exportados, mas, dada a imprevisibilidade das decisões por parte do governo Trump, não descartam totalmente que isso ocorra.

Durante a reunião na Casa Branca, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, reclamou das tarifas impostas pelo Brasil aos produtos americanos, mas não citou casos concretos, de acordo com pessoas que receberam relatos do encontro. Do lado americano, Greer foi o participante que fez mais intervenções.

O representante comercial citou, inclusive, a posição assumida pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) de se opor ao pacto feito por 18 países, entre os EUA, de não impor tarifas sobre o comércio eletrônico.

O objetivo principal das ações do governo brasileiro que culminaram na reunião entre os dois presidentes é conter a operação de bastidores de membros radicais que trabalham no Departamento de Estado americano e possuem conexões com o bolsonarismo. Esse grupo é visto como responsável por ter influenciado na decretação do tarifaço em julho do ano passado, com imposições de taxas de 50% a produtos brasileiros.

Os membros do governo brasileiro entendem que há pouca racionalidade nas discussões e que há dificuldade em saber a demanda exata dos americanos. Afirmam ainda que o governo Trump sempre busca sair como vitorioso das negociações. Assim, há uma necessidade de estar sempre em alerta e buscando formas de diálogo.

O desafio, na avaliação dos auxiliares de Lula, é encontrar um ponto que os americanos possam vender internamente como vitória e que, ao mesmo tempo, não seja prejudicial aos empresários brasileiro.

A questão tarifária foi o ponto central da reunião. Segundo relatos, o presidente brasileiro abriu o encontro dizendo que estava lá para discutir comércio, medidas de combate ao crime organizado e a negativa de visto dos EUA para brasileiros. Nesse último grupo, que tem cerca de 20 integrantes, estão ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) por terem condenado o ex-presidente Jair Bolsonaro na trama golpista e integrantes do Ministério da Saúde que implantaram o programa Mais Médicos com participação de profissionais cubanos. A lista foi entregue por Lula a Trump.

Apesar dos EUA já terem manifestado anteriormente preocupações com o desejo brasileiro de regular a atuação das bigs techs no país, o tema não foi abordado durante o encontro.

Pix e facções

Apesar de não terem feito parte da conversa entre os presidentes, os argumentos do governo brasileiro em defesa do Pix e contra o enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas estavam em documento entregue ao americano ao fim do encontro.

O texto, em inglês, continha também detalhes sobre os outros temas tratados na reunião, como a questão das tarifas.

Documento elaborado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) em abril apontou possíveis barreiras a empresas americanas por causa do Pix e citou que haveria um possível “tratamento preferencial” ao modelo, o que poderia prejudicar companhias estrangeiras do setor financeiro.

Em entrevista após o encontro, Lula afirmou que não discutiu o sistema brasileiro de transferências eletrônicas gratuitas com Donald Trump na reunião.

O governo brasileiro argumenta que o Pix é uma infraestrutura de pagamento pública e que os EUA têm ferramentas parecidas.

Com relação às facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), Lula também disse que o assunto não foi abordado. O governo brasileiro argumenta que essas organizações não têm objetivos políticos e visam apenas obter lucro como tráfico de drogas. Por isso, não devem ser classificadas como terroristas. Em março, o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou ao O Globo que o governo americano considera facções criminosas brasileiras uma ameaça relevante à segurança regional.

Durante a reunião entre os presidentes, chamou a atenção de integrantes do governo brasielrio a pouca ênfase dada pelos americanos ao tema da exploração das terras raras. A expectativa é que o assunto fosse um dos temas centrais abordados por Trump, o que não ocorreu. (Com informações do jornal O Globo)

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