Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 31 de agosto de 2022
O dólar emendou o segundo pregão de alta firme nesta quarta-feira (31) e fechou na linha de R$ 5,20. Os “comprados” (que ganham com a alta do dólar) se beneficiaram do mau humor externo, com tombo das commodities, como minério de ferro e petróleo, e nova rodada de perdas de divisas emergentes, em meio à perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos e na Europa. Já as Bolsas mundiais tiveram queda, incluindo a B3 (Bolsa brasileira), que cedeu 0,82%.
Em alta desde a abertura dos negócios, o dólar superou a barreira de R$ 5,20 no fim da manhã e tocou R$ 5,21 à tarde, ao registrar máxima a R$ 5,2104, diante da piora do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, e das Bolsas em Nova York. No fim da sessão, a moeda era cotada a R$ 5,2015, avanço de 1,73%.
Depois de esboçar romper o piso de R$ 5,00 na segunda-feira (29), quando fechou a R$ 5,0334, o dólar subiu com força na terça e quarta, passando a acumular ganho de 2,43% na semana. Com isso, encerrou agosto em leve alta, de 0,53%. No acumulado do ano, a divisa acumula perdas de 6,71%.
Segundo operadores, os negócios no mercado de câmbio doméstico refletem muito mais o vaivém das apostas para o ritmo de alta de juros nos países desenvolvidos que eventual temor fiscal diante das promessas de expansão de benefícios sociais que tomam conta da corrida presidencial.
A taxa anual de inflação ao consumidor (CPI) na zona do euro atingiu 9,1% em agosto, novo recorde histórico e acima das expectativas de analistas, de 8,9%, reforçando a aposta de que o Banco Central Europeu (BCE) pode acelerar o ritmo de alta de juros.
Nos Estados Unidos, o relatório ADP, de emprego do setor privado, mostrou criação de 132 mil vagas, menos da metade da previsão dos analistas (300 mil). Mesmo assim, a aposta em nova elevação dos juros em 0,75 ponto porcentual neste mês segue majoritária. Ainda ecoam no mercado o discurso duro do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, no Simpósio de Jackson Hole na semana passada, reforçado por declarações de diretores do BC americano nesta semana.
A presidente do Fed de Cleveland, Loretta Mester, disse nesta quarta que é cedo para concluir que a inflação nos EUA atingiu o pico. Mester afirmou que o Fed terá que levar os juros até “um pouco mais de 4%” até o começo de 2023. “Não prevejo que o Fed cortará os juros no próximo ano”.
“Desde o desfecho do simpósio de Jackson Hole, o mercado está um pouco mais preocupado com a magnitude da elevação dos juros nos EUA. Isso não mudou mesmo com a decepção do ADP de agosto”, afirma a economista-chefe de Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack. “O clima externo é de aversão ao risco, com preocupações também com a inflação na Europa. Além disso, hoje teve a disputa pela formação da Ptax”.
No exterior, o índice DXY – que mede o comportamento do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes – apresentou leve queda, sobretudo por conta da recuperação do euro, mas ainda permanece em níveis elevados, na casa dos 108,700 pontos. Os contratos futuros de petróleo caíram quase 3%, com o tipo Brent para novembro, referência para Petrobras, cotado a US$ 95,64 o barril (-2,25%).
Commodities metálicas, como minério de ferro e cobre, também recuaram. Além do aperto monetário nos países centrais, há preocupações com o ritmo de atividade na China, cujo PMI Industrial fechou agosto abaixo de 50, o que indica contração. As divisas emergentes caíram em bloco frente à moeda americana, à exceção do peso mexicano. O real, que vinha apresentando melhor desempenho, desta vez amargou a piora desvalorização.
“Voltamos a ter pressão nas moedas emergentes, principalmente o real, que sofre mais por ser mais líquido. O ponto mais importante é a expectativa de aumento de juros nos países desenvolvidos. A inflação na Europa veio bem acima do esperado”, afirma a economista Cristiane Quartaroli, do Banco Ourinvest. “Nos últimos dias, temos visto também queda dos preços das commodities, o que contribuiu para pressionar a moeda”.
Bolsa
Já a Bolsa de Valores caiu 0,82%, aos 109.522,88 pontos. Com o ganho de 6,16% em agosto, o índice da B3 sobe 4,48% no ano. Na semana até aqui, tem perda de 2,47%. O nível de fechamento desta quarta-feira foi o menor desde 9 de agosto (108.651,05 pontos).
O Ibovespa teve ainda assim um agosto estelar se comparado à correção nas principais bolsas do exterior. Dos maiores mercados de fora, apenas Tóquio (+1,04%) conseguiu evitar perdas no mês, que chegaram a 4,64% em Nova York (Nasdaq) e a 5,02% (CAC 40, de Paris) nos centros financeiros da Europa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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