Quarta-feira, 02 de Dezembro de 2020

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Brasil Investigação sobre milícia teria motivado a troca de chefe da Polícia Federal do Rio de Janeiro

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Ministro Moro também publicou no Twitter foto de outdoor com mensagem de apoio a pacote anticrime. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Um inquérito sobre lavagem de dinheiro que pôs milicianos do Rio de Janeiro no radar da PF (Polícia Federal), há cerca de dois meses, teria chegado ao conhecimento do presidente Jair Bolsonaro e alimentado a crise com o ministro da Justiça, Sérgio Moro. O fato também teria desencadeado a exoneração do chefe da corporação fluminense, Ricardo Saadi, e poderá, ainda, levar à queda do diretor -geral do órgão, Maurício Valeixo, segundo disseram fontes a par do caso. As informações são do jornal Valor.

Procurada na sexta-feira, a Secretaria de Comunicação da Presidência informou apenas que “o Planalto não comentará”. A assessoria da Polícia Federal foi procurada, mas não se manifestou.

A PF chegou aos milicianos ao descobrir que um grupo estaria achacando doleiros investigados por lavagem de dinheiro. Apesar de mantida sob discrição, a notícia sobre a investigação teria sido transmitida ao Palácio do Planalto por policiais federais próximos de Bolsonaro, conforme apurou a reportagem.

No fim do ano passado, a revelação de que parentes de suspeitos de integrar a milícia de Rio das Pedras, no Rio, trabalharam no gabinete da Assembleia Legislativa do hoje senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) — que era investigado por suposto esquema de “rachadinha” de funcionários coordenado pelo ex-assessor Fabrício Queiroz —, causou constrangimento político à família presidencial.

Segundo o relato de fonte a par do caso, Bolsonaro passou a recear que a investigação, se tornada pública, fosse explorada pela oposição a seu governo para atacar Flávio Bolsonaro.

Como as apurações sobre a rachadinha envolveram informes do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), repassadas ao MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) sem autorização judicial, elas foram suspensas em julho por liminar do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, a pedido da defesa de Flávio Bolsonaro.

Uma reportagem do jornal O Globo mostrou, na quinta-feira, que o ex-policial que assessorava Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, demitiu a mulher de um miliciano que trabalhou para o atual senador e agiu para evitar vinculação do gabinete do filho do presidente ao criminoso.

De acordo com um integrante da PF, em agosto o presidente passou a requisitar a seus auxiliares próximos informações sobre o à época superintendente da corporação no Rio de Janeiro, delegado Ricardo Saadi.

Informado sobre o perfil técnico de Ricardo Saadi — que é especialista no combate a crimes financeiros e organizações criminosas —, Bolsonaro passou a dizer publicamente que o superintendente precisava ser trocado por problemas de produtividade. Saadi terminou exonerado no dia 30 de agosto.

A saída de Ricardo Saadi da PF do Rio marcou o início da crise do ministro Sérgio Moro. A iniciativa para deixar a base fluminense da corporação foi do próprio Saadi. Mas acabou antecipada em ao menos quatro meses por decisão do presidente. A colegas, Saadi afirmou que deixaria o Rio em dezembro para trabalhar em Brasília.

Dias depois, Bolsonaro passou a aventar a possibilidade de afastar Valeixo da direção-geral da PF, que saiu nesta segunda-feira de férias por 10 dias, consciente de que pode não assumir o mesmo cargo quando retornar ao trabalho.

tags: milícia

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