Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 15 de outubro de 2020
A polícia francesa realizou uma operação nesta quinta-feira (15) na residência e nos escritórios do ministro da Saúde, Olivier Véran, no âmbito de uma investigação sobre a gestão da crise de saúde, anunciou o ministério em um comunicado.
Véran está entre os ministros e ex-ministros que estão sendo investigados por sua resposta à pandemia, após as denúncias de várias vítimas de covid-19 que consideram que o governo demorou a adotar medidas para conter a propagação do vírus, que provocou mais de 33 mil mortes na França.
A polícia também compareceu à residência do diretor geral de Saúde, Jérôme Salomon, do ex-primeiro-ministro Edouard Philippe – responsável pela gestão durante a primeira onda do coronavírus –, da ex-ministra da Saúde Agnes Buzyn e da ex-porta-voz do governo Sibeth Ndiaye.
Todas as operações aconteceram “em dificuldades”, informou o ministério da Saúde em um comunicado.
Em 7 de julho a Justiça abriu uma investigação sobre a gestão da crise. Mais de 90 demandas foram apresentadas contra ministros do governo do presidente Emmanuel Macron. Apenas nove foram consideradas admissíveis.
A Corte de Justiça da República (CJR), que é o único órgão que pode julgar atos cometidos por membros do governo no desempenho de suas funções, considerou “necessário realizar uma investigação para valiar as denúncias”.
As audiências dos demandantes, incluindo representantes de um grupo de médicos, começaram em setembro. Eles criticaram, entre outras coisas, a “inconsistência das medidas” adotadas e a “falta de aplicação das recomendações da OMS”.
O MP de Paris abriu em 9 de junho uma investigação preliminar por “homicídio” e pela acusação de “colocar em perigo a vida de outras pessoas”.
Toque de recolher
O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta semana a imposição de um toque de recolher em Paris e em outras oito cidades para tentar controlar a transmissão da covid-19. A nova medida, que vai vigorar das 21h às 6h, passa a valer a partir deste sábado (17). Ela afeta essencialmente as atividades recreativas, mas não as escolas e os locais de trabalho.
O toque de recolher irá durar inicialmente quatro semanas, segundo informou Macron, mas pode se estender a seis com a aprovação da Assembleia Nacional. A medida irá afetar a região de Île-de-France — que inclui Paris — e as cidades de Lyon, Lille, Rouen, Grenoble, Montpelier, Saint-Etienne, Toulose e Ayx-en-Provence. Ao todo, cerca de 20 milhões de pessoas — quase um terço da população do país — serão afetadas. Quem desrespeitar a nova restrição terá que pagar uma multa de € 135 (R$ 887).
O presidente também explicou que não haverá uma “proibição” de sair de casa entre 21h e 6h, mas que se trata de uma “limitação”. Segundo ele, a população estará autorizada a sair nesse horário em casos essenciais, como trabalho. Não haverá restrições nos transportes públicos, e os franceses podem viajar entre as regiões do país.
“O toque de recolher irá durar quatro semanas, e iremos ao Parlamento para estendê-lo até 1º de dezembro. Seis semanas é o tempo que acreditamos ser necessário”, disse Macron.
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