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Mundo O Irã se tornou o país com maior número de mortes por coronavírus depois da China

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Mulher usa máscara de proteção durante votação para o parlamento iraniano. (Foto: Reprodução)

O Irã se tornou neste domingo (23) o país com o maior número de mortes provocadas pelo novo coronavírus fora da China, com 8 mortes e 43 casos confirmados. A doença já matou 2.445 pessoas na China. Fora do território chinês, são 22 mortes no total.

O Irã foi o primeiro país do Oriente Médio a registrar mortes provocadas pelo novo coronavírus. As duas primeiras vítimas fatais eram idosos, segundo as autoridades. A nacionalidade dos outros mortos ou infectados não foi divulgada, o que dá a entender que também são iranianos.

Como “medida de prevenção”, o governo anunciou o fechamento de escolas e universidades, cinemas, teatros e outros centros culturais em 14 das 31 províncias do país, incluindo Teerã. Os eventos culturais e artísticos foram proibidos por uma semana nas regiões afetadas.

O ministro da Saúde, Said Namaki, anunciou que o tratamento da doença será gratuito. Ao menos um hospital de cada cidade se dedicará exclusivamente a atender, examinar e tratar os casos de coronavírus”.

Na capital Teerã, cidade com mais de 8 milhões de habitantes, onde foram registrados quatro dos 15 novos casos anunciados neste domingo, a prefeitura ordenou o fechamento das fontes de água e dos postos de vendas de doces no metrô.

Gholamreza Mohammadi, porta-voz da prefeitura, afirmou que os trens do metrô e os ônibus estão sendo desinfetados.

“Se o número de pessoas infectadas aumentar em Teerã, toda a cidade será colocada em quarentena”, declarou Mohsen Hashemi, presidente do Conselho Municipal da capital.

Epidemia afeta eleições

Os primeiros casos no Irã e as duas primeiras mortes, que aconteceram na cidade sagrada xiita de Qom, foram anunciados na quarta-feira, dois dias antes das eleições legislativas.

O ministro do Interior, Abdolreza Rahmani Fazli, informou que o índice de participação na votação de domingo foi de 42,57%, a menor taxa registrada em eleições legislativas desde a proclamação da República Islâmica, em 1979. Nas 10 legislativas anteriores, a participação sempre superou 50%.

Fronteiras fechadas

O Afeganistão suspendeu a partir deste domingo (23) as viagens aéreas e terrestres para o Irã, onde vivem milhões de refugiados afegãos, à medida que os temores por toda a região crescem com o avanço da propagação do coronavírus.

O Paquistão anunciou o fechamento da fronteira com o Irã como forma de prevenção, assim como a Turquia.

Líder ataca a imprensa

O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, acusou a imprensa estrangeira de usar a epidemia como “pretexto” para prejudicar as eleições legislativas.

“A propaganda começou há alguns meses e se intensificou à medida que as eleições se aproximavam e nos últimos dois dias, sob o pretexto de uma doença e um vírus”, afirmou neste domingo o guia supremo, Ali Khamenei, durante sua aula semanal aos estudantes de Teologia em Teerã.

De acordo com seu site oficial, o aiatolá Khamenei denunciou a “grande nuvem (de desinformação) criada pela imprensa estrangeira, que não perdeu a oportunidade para dissuadir a população de votar”.

“Apesar da propaganda, o guia da Revolução Islâmica aplaudiu a grande participação da população nas eleições”, afirma o site.

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