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Brasil Juízes acionam Conselho de Ética do Senado contra Renan Calheiros

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Renan afirmou, sem citar nomes, que um "juizeco" de primeira instância não pode, a qualquer momento, "atentar contra um poder". (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Um grupo de cinco juízes de cinco Estados protocolou nesta quinta-feira (27) uma representação na secretaria do Conselho de Ética do Senado contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), por suposta quebra de decoro parlamentar. Na última segunda (24), Renan afirmou, sem citar nomes, que um “juizeco” de primeira instância não pode, a qualquer momento, “atentar contra um poder”.

A declaração ocorreu enquanto o senador anunciava à imprensa uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Corte estabeleça os limites para atuação de magistrados no País. Na semana passada, a Polícia Federal deflagrou a Operação Métis, na qual quatro policiais legislativos foram presos suspeitos de fazer varreduras a fim de encontrar grampos nas residências de senadores investigados em operações, como a Lava Jato.

A operação foi autorizada pelo juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília.
“Houve uma agressão injusta, indevida, desproporcional, sobretudo, quando vem de um senador da República. É uma ofensa ao magistrado que presidia a ação, à magistratura, a todos juízes de primeira instância e, também, uma ofensa ao poder Judiciário. É preciso se reestabelecer a respeitabilidade no trato entre os membros dos poderes”, afirmou o juiz pernambucano Luiz Rocha, um dos que assinaram a representação contra Renan.

Os cinco juízes não formam uma associação específica de magistrados, mas se dizem integrantes de um movimento intitulado Magistratura Independente. Para os juízes, Renan Calheiros deveria, ao não concordar com a decisão do juiz de Brasília, ter procurado o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), como afirmou nesta quarta (26) que faria, e não ter dirigido ofensas a um magistrado por meio da imprensa.

“Depois da declaração [sobre o ‘juizeco’], Renan ainda teve a oportunidade de se retratar, mas não o fez. Mais uma vez se referiu ao juiz e terminou dizendo que não poderia chamar o juiz no aumentativo”, afirmou o juiz mineiro Michel Curi. “Ele podia ter melhorado a situação, mas acabou piorando, completou.

Mais cedo, nesta quinta, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki determinou a suspensão da Operação Métis. Ele também mandou transferir todo o processo relativo à operação da Justiça Federal do Distrito Federal para o STF. As decisões foram tomadas após Teori analisar pedido de um dos policiais presos na operação.

Conjunto de ações

Nesta quarta-feira, em plenário, Renan Calheiros anunciou uma série de ações em resposta à operação realizada no Senado. Entre elas, a apresentação de uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, com o objetivo de definir “claramente” a competência dos poderes. O parlamentar também disse que protocolaria uma reclamação no STF para preservar a competência da Suprema Corte.

Para o presidente do Senado, ao autorizar a operação que prendeu os policiais legislativos, na semana passada, o juiz Vallisney de Souza Oliveira “usurpou” a competência do STF, uma vez que as investigações envolvem senadores, que têm foro privilegiado.

Renan também disse que acionaria o Conselho Nacional de Justiça para que o órgão apure a conduta de Vallisney e afirmou que solicitou a Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, para priorizar a análise de uma PEC, já aprovada pelo Senado em 2013, que estabelece o fim da aposentadoria compulsória (como forma de punição) para magistrados e membros do Ministério Público condenados pelo crime de improbidade administrativa.

Repercussão

Além da reação dos juizes, desta quinta, as declarações de Renan Calheiros provocaram repercussão nos meios político e jurídico. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), por exemplo, disse que a decisão do juiz do Distrito Federal foi “equivocada” porque, em sua avaliação, a autorização caberia ao Supremo Tribunal Federal.

A presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, por sua vez, durante sessão do CNJ, pediu “respeito” ao Poder Judiciário e disse que “onde houver um juiz destratado, eu também sou”.

Conselho de Ética

Em casos de representações levadas ao Conselho de Ética por suposta quebra de decoro parlamentar, o presidente do conselho, senador João Alberto (PMDB-MA), recebe a petição e a despacha para a Advocacia-Geral do Senado, onde é elaborado um parecer sobre o documento.

Depois dessa análise, cabe, monocraticamente, ao presidente do Conselho de Ética decidir se abre ou não processo contra um senador. (AG)

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