Sexta-feira, 12 de junho de 2026

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Luiz Carlos Sanfelice Lembranças que ficaram (17)

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Pesquisa da entidade mostra indústrias em dificuldades para pagamento de salários.(Foto: Agência Brasil)

Você trabalha em quê?

A indústria onde trabalhei 40 anos produzia equipamentos e instrumentos de segurança e higiene do trabalho, com sede nos EE.UU. e fábricas em 28 países. Isso fazia com que nossos produtos tinham aplicação em qualquer ramo da atividade humana, no ar, na terra, no subsolo, no mar e no espaço sideral. Como Diretor Comercial e Vice-Presidente da Cia., vi, mundo afora, coisas incríveis e maravilhosas e acabei conhecendo, diria até a fundo, toda gama da atividade humana. Quando me dei conta disso fiquei muito feliz. Não me ocorre nenhuma atividade que eu não conheça.

No alto de uma torre petroquímica ou a bordo de um submarino, no fundo de uma mina de cobre, ou carvão, ou prata, ou ouro ou numa oficina de conserto de motores de navios tão grandes como um grande sobrado, ou numa metalúrgica de proporções agigantadas ou uma grande siderúrgica como a Cosipa, Gerdau, CSN ou Manesmann, uma metalúrgica como a WEG, a Tramontina, a Fundição Tupy, Randon, ou de material ferroviário ou mineração de sal em Natal, ou uma fábrica de aviões como a Embraer(coisa mais linda) ou uma fábrica de motos ou bicicletas, uma Usina Nuclear ou uma Itaipu Hidrelétrica ou uma CGTE Termelétrica, um Estaleiro Naval, um Porto como de Belém do Para ou Santos, uma oficina mecânica ou uma fábrica como a Marcopolo, John Deere, uma Vinícola como a Miolo, Perini, Peterlongo ou Aurora produzindo Vinho ou uma Fazenda em Minas produzindo cachaça mais cara que whisky, ou Frigoríficos como a Sadia e Perdigão, ou uma fábrica de celulose como a Suzano, ou uma fábrica de Cloro onde todos os funcionários (todos até o Presidente) tenham que andar com uma “máscara de fuga” pendurada na cintura, por que se der o alarme de vazamento, tem que vesti-la e esteja onde estiver, correr dali com sério risco de vida. De navegar com pescadores profissionais no Solimões ou numa Traineira de alto-mar, estar a bordo de um enorme navio Petroleiro ou um luxuoso Transatlântico, no alto (ou embaixo) de uma torre de resfriamento, estar no meio dos boia-fria cortando cana ou numa usina de açúcar, assustadoramente, grande, numa fábrica da Coca-Cola ou numa fábrica de suco de laranja como a Cutrale. Numa fábrica de Adubos Químicos, ou de Agrotóxicos, pesticidas e herbicidas. Nestes momentos sempre penso com carinho e emocionada lembrança e com agradecimento ao que havia sido meu grande amigo, instrutor, o primeiro e mais dedicado ecologista-ambientalista, o pioneiro Henrique Luiz Röessler com quem convivi no tempo que trabalhei na Secretaria de Agricultura. Isso em 1959/60/61. Os ensinamentos e as coisas que aprendi com esse nobre amigo foram importantes e diria até fundamentais, depois, no exercício do meu trabalho na engenharia de segurança ocupacional. Guardo incríveis imagens dessas andanças mundo afora… você não faz ideia da sensação que se sente em estar caminhando dentro de um motor de navio como se estivesse dentro de uma casa esquisita, ou estar no fundo de uma galeria de uma mina e o engenheiro teu acompanhante te dizer: “aqui em cima de nós passa o rio “Tal” – estamos mais ou menos no meio do rio”… (e se desmorona). Ver a delicadeza (e o perigo) numa fábrica de lindos e delicados artefatos de cristal ou a rudeza metido em subsolo numa fábrica de Pólvora do Exército ou nas alturas de uma Torre de Alta Tensão com a rede ligada.

Os riscos à vida que podem ser causados por material aerodispersoides (pós, poeiras, neblinas, fumos, organismos vivos) ou de morte por gases tóxicos ou explosivos (monóxido de carbono, metano, amônia, cloro, etc) são assustadores. E apesar de todas as campanhas, as coisas têm piorado e ano após ano, com sentimento de derrota, vemos aumentar o nº de mortes por acidentes do trabalho. A Proteção e Segurança no Trabalho é fundamental e deveria ser prioridade absoluta.

(Luiz Carlos Sanfelice, advogado, auditor – e-mail: lcsanfelice@gmail.com)

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