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Eleições 2026 Lula cobra corpo a corpo de aliados em campanha pressionada pelo caso Lulinha

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Petistas avaliam nos bastidores que candidatura do presidente passa por seu pior momento. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Sob pressão após revelações sobre seu filho Fábio Luís, que ficou conhecido como Lulinha, e sobre seu ex-chefe de gabinete, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem repetido o discurso de que não se perde nem se ganha uma eleição de véspera.

E, por isso, defendeu em conversas recentes cautela em uma campanha que se prenuncia acirrada e pediu que seu grupo político intensifique o corpo a corpo nas ruas.

Segundo relatos, o presidente tem dito ainda que essa será uma campanha de território, com disputa pelo voto nos bairros. Ele tem insistido para que petistas estejam munidos de dados positivos para a defesa de sua administração no embate com bolsonaristas.

A principal preocupação externada pelo presidente da República e por pessoas próximas é com a percepção do eleitorado sobre a economia. Lula afirma que fez uma boa gestão nessa área e quer que seus militantes disseminem essa ideia pelo Brasil.

Aliados dele ouvidos pela reportagem em condição de anonimato avaliam que a campanha do petista está em seu pior momento em decorrência das revelações sobre Lulinha e sobre o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola.

Ainda sob reserva, interlocutores do presidente admitem que as revelações abalaram o ânimo dos militantes e até mesmo de integrantes da coordenação da campanha, além do próprio Lula.

Lulinha é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu que o caso deixe a corte e vá para a primeira instância, uma vez que não há envolvidos com foro especial.

As suspeitas são em torno de uma suposta atuação com a lobista Roberta Luchsinger para tentar vender medicamentos à base de canabidiol para o Ministério da Saúde.

Já o ex-chefe de gabinete de Lula teria tido despesas pessoais pagas por Roberta – ele afirma que as transações foram um empréstimo.

Na última quinta-feira (20), veio a público documento em que a Polícia Federal (PF) apontou Lulinha como beneficiário indireto do trabalho de Luchsinger e identificou uma suposta “comunhão de interesses” entre os dois, entre outras afirmações.

Tanto Marcola quanto a defesa de Fábio Luís negam irregularidades. No caso de Lulinha, há também uma reclamação por causa dos vazamentos de investigações da PF.

Aliados relatam especial decepção de Lula com Marcola, auxiliar próximo desde a prisão em Curitiba e responsável pela agenda da Presidência.

Cerca de 40 anos mais novo que Lula, Marcola era tido pelo presidente como um potencial curador de seu legado no futuro, segundo aliados relataram à reportagem.

Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (21) mostrou que o presidente tem 39% das intenções de voto para presidente no primeiro turno, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 32%. A projeção de segundo turno entre os dois principais candidatos aponta Lula com 47% contra 43% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os efeitos das novas notícias sobre o caso ainda não puderam ser medidos nessa edição da pesquisa Datafolha, uma vez que as entrevistas foram colhidas na terça (18) e na quarta (19).

Mas, segundo aliados do presidente, há um temor quanto ao impacto dos casos sobre os apoiadores do presidente. Eles temem que os militantes se vejam inibidos para abordagem aos eleitores.

Ainda assim, o presidente tenta animar sua equipe. Nas análises, mostra otimismo nas eleições em Minas Gerais, Rio de Janeiro e em São Paulo – o Datafolha mostra que ele está empatado com Flávio no primeiro estado, mas perde nos outros dois.

Uma ala governista minimiza os reflexos, citando o eleitorado fiel de Lula, e o PT dirá que ele e sua família são alvos de denúncias eleitoreiras.

Embora admitam que Flávio Bolsonaro venha demonstrando resiliência após a revelação de sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, petistas preparam uma ofensiva contra o filho do ex-presidente Bolsonaro.

Em outra frente, vão investir na conquista de uma fatia de cerca de 30% do eleitorado que consideram capaz de definir a disputa. Após a explosão do caso, aliados do presidente reconhecem como remota a possibilidade de uma vitória em primeiro turno. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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