Terça-feira, 14 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 21 de fevereiro de 2024
A deputada estadual gaúcha Luciana Genro (PSOL) recebeu ameaça anônima direcionada à mãe, Sandra Genro. Em reprodução por ela compartilhada nessa quarta-feira (21), a mensagem mostra um perfil sem identificação ou foto na rede social Instagram e que cita o endereço residencial de um familiar da parlamentar, sugerindo retaliação se Luciana continuar em defesa do povo palestino no conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas.
“Gosta de apoiar os palestinos e não apoia israel, Luciana? Sabe quem mora na rua xxxxxxxxx nº xxxxx [suposto endereço de Sandra]? A mamãe, né? Acho bom parar de falar merda”, escreveu o indivíduo anônimo.
O texto foi recebido na noite anterior. Quanto ao local indicado pelo autor da ameaça, a deputada explicou que a rua e número em questão são mesmo de um parente em Porto Alegre – mas não de sua mãe, conforme menciona o recado. Sandra é médica e foi primeira-dama na gestão de seu marido, Tarso Genro, como governador (2011-2014).
Luciana soube da mensagem quando se deslocava até Pelotas (Região Sul) para uma série de compromissos. Ele entrou em contato com a Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI) e combinou de registrar boletim de ocorrência na unidade, na Zona Norte da Capital, no início da tarde desta quinta-feira (22).
“Trata-se de uma ameaça clara, com a exposição de endereço privado de pessoas da minha família que não têm nenhuma relação com minha atuação política”, declarou a parlamentar. “Não me intimidam e não irão calar as vozes em defesa de uma população que vem sendo dizimada. É preciso uma investigação séria para identificar a autoria desta ameaça e proceder à punição dos envolvidos.”
Ela prosseguiu: “Essa perseguição toda não é apenas contra mim, mas contra todos que se levantam em apoio ao povo palestino. O presidente Lula também tem sido alvo de uma campanha mentirosa por suas declarações necessárias e coerentes sobre o tema. Agora, com esta ameaça direta à minha família, todos os limites foram ultrapassados por aqueles que não aceitam a ideia de uma Palestina livre da opressão, colonialismo e apartheid israelense”.
Origem judia
Em seu site (lucianagenro.com.br), um texto dá prosseguimento à indignação da parlamentar com o episódio:
“A deputada vem sendo perseguida, caluniada e atacada pela extrema direita e pelo sionismo por sua atuação em defesa da população palestina e pela denúncia do genocídio promovido por Israel na Faixa de Gaza. Além de um pedido de cassação na Comissão de Ética da Assembleia Legislativa, é alvo de um pedido de investigação do Ministério Público, devido a uma denúncia feita por deputados da extrema direita que a acusam inclusive de “negação do Holocausto” – sendo que a família de Luciana é de origem judia e, inclusive, possui integrantes que foram exterminados no campo de concentração de Auschwitz pelo regime nazista”.
(Marcello Campos)
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