Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 25 de março de 2020
A contagem de pacientes curados do novo coronavírus no mundo passou de 100 mil nesta semana. Segundo levantamento da Johns Hopkins University.
Em São Paulo, uma delas, a administradora de empresas Andrea Ferrari, de 53 anos, conviveu nas duas últimas semanas com a doença. Sem nenhum dos problemas de saúde que agravam os efeitos do vírus, ela conta que há anos, por se vacinar, não tinha sequer uma gripe. Mesmo sem ter sido internada, afirma ter sofrido bastante:
“Muita gente diz que é como um resfriado, mas para mim não foi. Com certeza, era pior do que qualquer gripe que eu já tive.”
Em tese, Andrea pode ser considerada curada desde esta quarta-feira (25), quando completaram-se os 14 dias do ciclo da infecção e estava há mais de 24 horas sem sintomas. Ela passou o período isolada em seu apartamento no bairro de Pinheiros, em São Paulo.
“Teoricamente, eu poderia ter alta hoje (terça-feira), mas a gente fica com receio tão grande que não sabe nem mais o que pensar.”
Ela diz que gostaria de fazer um novo exame para ter a comprovação da cura e de que não transmitiria a doença para outras pessoas, mas suas médicas lhe informaram que só pacientes internados estavam sendo testados.
Andrea sentiu calafrios na noite de 9 para 10 de março e teve 38 graus de febre. Ela sentia também dores fortes na testa e na nuca e, de forma menos intensa, no corpo. Chegou a ir à farmácia para comprar um xarope porque acreditava estar com sinusite. Trocou mensagens com sua médica, mas a hipótese de coronavírus não foi considerada inicialmente. Uma outra médica que a acompanha também foi consultada e tampouco levantou a possibilidade da nova doença.
No dia 11, Andrea foi a um laboratório. Inicialmente, fez o teste para dengue. Também fez exame para detectar influenza. O tempo todo, as médicas não acreditavam que era coronavírus.
Só depois que os resultados deram negativo é que o coronavírus passou a ser considerado. Ela só se submeteu ao exame no dia 14, quando uma equipe do laboratório foi ao seu apartamento para fazer a coleta.
Nesse período, os sintomas continuaram. Desconfiada, ela já havia passado a dormir em quarto separado do marido e passado a usar um banheiro exclusivo. A febre chegou a 39,5. A confirmação do coronavírus só saiu no dia 17.
Ela não teve contato direto com ninguém que veio do exterior. Acredita que pode ter pegado o vírus em um evento de empreendedorismo de que participou dias antes de os sintomas aparecerem.
Quando saiu o resultado, o marido parou de trabalhar e também se isolou em casa. Porém, não conseguiu fazer o exame, já que naquele momento os testes só estavam sendo disponibilizados para os pacientes com sintomas que exigem internação. Ele não apresentou nenhum sinal de infecção.
Andrea conta que sentia uma indisposição muito grande. Não conseguia sair da cama. A comida tinha pouquíssimo gosto. Desde domingo, ela não tem febre. Mesmo com a melhora, a administradora conta ainda não ter recuperado totalmente a disposição.
Rotina de exercícios
Na mesma semana em que Andrea adoeceu, a tesoureira da Aliança pelo Brasil, Karina Kufa, foi a segunda integrante da comitiva presidencial para a Flórida (EUA) a receber o diagnóstico positivo para o novo coronavírus.
A advogada de 39 anos conta que seus primeiros sintomas foram febre esporádica, dores de cabeça, no corpo e, em menor grau, na garganta, “como se fosse um arranhado”. Depois de alguns dias, Karina começou a perder o olfato e o paladar.
“Não fui ao hospital, até por recomendação médica, porque meus sintomas eram leves. Só fiz o exame (no dia 13 de março) e observei o protocolo. O tratamento foi simples, alguns remédios eu já tinha”, afirma. A rotina da quarentena incluiu atividade física leve, leitura e resolução de pendências. “Hoje estou praticamente sem sintoma nenhum. O que restou foi a ausência de olfato e paladar. Estou bem disposta.”
Karina pretende voltar para casa ainda nesta quinta-feira (26), após cumprir o isolamento em um hotel, longe da família.
Sem sintomas há dois dias, Pedro Kuyumjian teve seu primeiro episódio de febre na noite de 12 de março. No dia seguinte, comentou o fato com colegas de trabalho, que, preocupados com o grande fluxo de estrangeiros na sede da empresa — uma gestora de investimentos sediada no Itaim Bibi, bairro da Zona Oeste da capital paulista —, o convenceram a fazer um teste. O publicitário de 42 anos foi no mesmo dia ao Hospital São Luiz, no Morumbi. Lá havia, segundo ele, mais nove pessoas prontas para realizar o exame.
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